Osasco (SP) – A Stellantis, conglomerado que controla Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, investiu R$ 13 milhões para abrir o primeiro centro de desmontagem veicular da América Latina. A unidade, inaugurada em agosto, trabalha com automóveis sinistrados ou fora de uso — inclusive de outras marcas — e já oferta peças recondicionadas por preços até 50% inferiores aos praticados para componentes novos.
Como funciona o desmanche legal
O processo ocorre em cinco etapas:
1. Teste de motor e eletrônica – O veículo é ligado para avaliação do conjunto motriz e dos sistemas elétricos.
2. Descontaminação – Óleos, combustíveis e demais fluidos são removidos.
3. Desmontagem – Motor, câmbio, rodas, eixos, lataria e acabamento interno são retirados.
4. Lavagem – Peças aproveitáveis recebem limpeza com produtos biodegradáveis.
5. Fotografia e catalogação – Cada componente é fotografado, etiquetado pelo Detran e colocado à venda.
Airbags, freios e cintos não são reaproveitados; esses itens seguem direto para reciclagem. Já módulos eletrônicos passam por linha exclusiva de descarte especializado.
Rastreabilidade garantida
Cada peça recebe etiqueta do Detran com número de chassi, origem e estado de conservação, classificado de 0 a 9. Componentes avaliados entre 5 e 9 são vendidos sem recondicionamento; itens de 0 a 4 seguem para remanufatura.
Mercado em expansão
De acordo com Fenabrave e Dana Brasil, o setor de reposição movimentou R$ 260 bilhões em 2024. Estima-se que cerca de 2 milhões de veículos alcancem o fim da vida útil anualmente, mas apenas 1,5% tem destinação adequada, segundo Abcar e Sindinesfa. O potencial de receitas com peças recuperáveis chega a R$ 14 bilhões por ano.
No Brasil, existem pouco mais de 5 mil desmontes homologados, número que corresponde a um mercado de R$ 2 bilhões. A Lei 12.977/2014, conhecida como Lei do Desmanche, exige credenciamento e emissão de nota fiscal para combater o comércio ilegal de componentes.
Preço abaixo da metade
Eliminando custos de produção, a Stellantis vende farol de Jeep Commander por R$ 1.500, ante os quase R$ 3.500 cobrados por uma peça nova. Segundo a empresa, a remanufatura evita o desperdício de até 80% da matéria-prima necessária para fabricar um item inédito.
O centro de Osasco tem capacidade para desmontar até 8 mil veículos por ano. Outras montadoras observam o segmento: a Toyota confirmou ao g1 planos de atuar na área nos próximos anos.
Expectativa – Para Alexandre Aquino, vice-presidente de economia circular da Stellantis na América do Sul, “trazer peças de volta ao mercado cria valor numa cadeia ainda subexplorada”.
Com rastreabilidade, preços menores e ganho ambiental, a iniciativa sinaliza um avanço na formalização do desmanche automotivo no país.
Segundo o texto da Lei 12.977/2014, apenas empresas credenciadas podem desmontar e comercializar peças usadas, reforçando a importância da rastreabilidade.
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O reaproveitamento de veículos sinistrados ganha força no Brasil, impulsionado por legislação, demanda por peças acessíveis e investimentos como o da Stellantis. Fique atento às próximas reportagens e compartilhe esta notícia.
Com informações de g1
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