O balanço do primeiro semestre de 2026 do CRAM mostra crescimento na demanda por atendimentos especializados em Aracaju, mas também revela desafios sérios na continuidade do acompanhamento às mulheres.
O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), equipamento da Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), divulgou nesta segunda-feira (13) o balanço das atividades do primeiro semestre de 2026. Os dados mostram que a procura pelos serviços cresceu entre janeiro e junho, com os meses de março, abril e maio concentrando o maior número de encaminhamentos. Maio também foi o período de maior demanda pelos atendimentos especializados ofertados pela unidade.
Ao longo do semestre, a equipe multidisciplinar do CRAM realizou atendimentos psicológicos, socioassistenciais e jurídicos, além de ações de busca ativa e rodas terapêuticas. Os atendimentos psicológicos tiveram maior volume em março, maio e junho, reforçando o papel do suporte emocional no processo de superação da violência. Já os atendimentos socioassistenciais foram mais expressivos em janeiro, abril e maio, enquanto as orientações jurídicas se concentraram entre março e maio, acompanhando os períodos de maior incidência de casos. A estratégia de busca ativa — ação das equipes para localizar mulheres encaminhadas e facilitar o acesso aos serviços — teve maior número de ações entre fevereiro e maio, fortalecendo o vínculo com as usuárias.
Mas o balanço também acende um alerta importante: em diversos meses, aproximadamente metade das mulheres encaminhadas ao CRAM não compareceu aos atendimentos ou interrompeu o acompanhamento oferecido pela equipe técnica. Além disso, cerca de 50% das mulheres atendidas mensalmente permanecem inseridas no ciclo de violência — índice que evidencia a complexidade do problema e a necessidade urgente de ampliar a rede de proteção, reforçar ações preventivas e garantir um acompanhamento contínuo e articulado. Para a SerMulher, os números reforçam a importância do trabalho do CRAM no acolhimento às mulheres, no fortalecimento de sua autonomia e no suporte para a reconstrução de suas trajetórias de vida.
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