Em 30 de junho de 1939, o então presidente Getúlio Vargas assinava o Decreto-Lei nº 4.328, documento que autorizou a instalação da primeira estação de radiodifusão em território sergipano. Nascia a Rádio Difusora de Aracaju, criada para amplificar o discurso oficial em plena vigência do Estado Novo. À época, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) definia os rumos editoriais e, em Sergipe, o controle local ficava a cargo do DEIP, comandado pelo riachão-dantense Lourival Fontes.
A emissora surgiu como peça de propaganda, mas, com o fim do regime varguista, o ambiente interno mudou. Entre as décadas de 1940 e 1960, o rádio brasileiro viveu a chamada “Era de Ouro”, e o sinal sergipano acompanhou essa efervescência. Programas de auditório, rádio-teatro, transmissões esportivas e orquestras ao vivo passaram a ocupar a grade, abrindo espaço para músicos, intelectuais e ouvintes da capital e do interior.
Apesar do sucesso popular, a Rádio Difusora ainda funcionava atrelada à burocracia estadual. A virada institucional veio em 11 de dezembro de 1972. A Lei nº 1.759, sancionada pelo governador Paulo Barreto de Menezes, criou a Fundação Aperipê (Fundap), concedendo autonomia administrativa e financeira. Ao tornar-se fundação, o veículo deixou de ser porta-voz de governo para se assumir como comunicação pública, comprometida com educação, cultura e prestação de serviços.
Desde então, o complexo expandiu transmissões, incorporou televisão e consolidou-se como Sistema Aperipê de Comunicação. Hoje, operado pela FunSecom, o grupo encara desafios impostos pela migração do AM para o FM, pelo avanço das plataformas de streaming e pela necessidade de dialogar com múltiplas gerações conectadas.
Manter a audiência tradicional, sem abandonar a inovação, exige equilíbrio. A emissora adota aplicativos, redes sociais e podcasts para se aproximar do público mais jovem, enquanto conserva faixas dedicadas a gêneros que formam a identidade local. Forró pé-de-serra, cacumbi, reisado, chegança, samba de roda e produções autorais contemporâneas seguem presentes na grade.
“Aperipê — Educação, Cultura e Sergipanidade!”
O histórico prefixo, repetido diariamente, traduz a missão de integrar Sergipe “de Neópolis a Canindé de São Francisco”. Ao longo de 87 anos, a antiga “Voz do Estado” transformou-se em trincheira da diversidade cultural. Entre o passado centralizador e o presente plural, o compromisso permanece o mesmo: oferecer espaço para que a população se reconheça nas ondas do rádio, na tela da TV e, agora, também nos ambientes digitais.
No horizonte, o Sistema Aperipê projeta novos estúdios multimídia e parcerias com universidades para fortalecer a produção de conteúdo educativo. A trajetória iniciada em 1939 demonstra que a comunicação pública sergipana evolui ao ritmo das mudanças políticas, tecnológicas e sociais, sem deixar de valorizar a memória e as tradições que moldam o orgulho de ser sergipano.
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