No próximo junho, Estância homenageia Bebeça da Batucada, símbolo vivo do forró e das tradições populares de Sergipe. Uma história que começa na pesca e ecoa nos arraiás até hoje.
No dia 12 de junho de 2026, celebramos a trajetória de José Domingos dos Santos, mais conhecido como Bebeça do Arraiá ou Bebeça da Batucada. Nascido em 5 de dezembro de 1954 na cidade de Estância, ele é um verdadeiro ícone da cultura popular sergipana, com um sorriso cativante e uma vida dedicada à preservação das tradições locais.
Bebeça cresceu em uma família de pescadores e fogueteiros, herdando o conhecimento da pesca artesanal e a cultura do forró. Seu irmão, Tonho Lixa, foi um dos fogueteiros mais renomados de sua época. Desde jovem, Bebeça se envolveu com a cultura local, frequentando os barracões de fogo e se tornando um contador de histórias respeitado entre seus pares.
Em 1976, ele construiu um barracão de palha de coqueiro e bambu, que se tornaria o maior e mais famoso Arraiá de forró da região. Este espaço popular atraiu um grande público, sendo um ponto de referência para a difusão da autêntica cultura do forró. Hoje, as ruínas de seu barracão de alvenaria permanecem como um testemunho do seu legado, simbolizando memórias que transcendem o tempo.
“Aqui se fundem para mim lembranças felizes e um sentimento de desilusão”, afirma Bebeça sobre o que sobrou do seu barracão de forró.
Além de seu Arraiá, em 1987, ele fundou a Batucada Navegante, uma expressão cultural que resgatou as tradições das antigas batucadas. O grupo, que atraiu notáveis batuqueiros da cidade, consolidou Bebeça como um mestre da cultura popular, um título que lhe foi conferido por aclamação pública.
Tradicionalmente, durante as festas de São João e São Pedro, Bebeça liderava um grupo de homens que, munidos de tambores e busca-pés, animavam as noites festivas na praça da cidade. A mistura de sons e ritmos, acompanhada da fumaça dos fogos, criava um ambiente vibrante que era a essência das celebrações juninas.
Bebeça é, sem dúvida, um patrimônio vivo da cultura sergipana, e seu legado é fundamental para a preservação das tradições locais. Ao lado de outros grandes mestres, como Enoque dos Santos e João Buiu, ele se destaca como um símbolo da resistência cultural. O reconhecimento da sua história é essencial para evitar que o esquecimento silencie as vozes que moldaram nossa identidade.
Neste São João, homenageamos Bebeça e sua contribuição inestimável à cultura popular, lembrando a importância de manter vivas as memórias que nos conectam às nossas raízes.
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