BRASÍLIA – Nomeado em 26 de março de 2026, Dario Durigan chega ao comando do Ministério da Fazenda em plena pressão dupla: o avanço da guerra no Oriente Médio encarece o diesel e o calendário eleitoral reduz a paciência do mercado para surpresas fiscais.
- Em resumo: Durigan libera subsídio de R$ 1,20 por litro do diesel até maio e promete manter o arcabouço fiscal mesmo com espaço de gasto quase zerado.
Por que o diesel virou teste imediato
Com cerca de 30% do combustível importado, qualquer alta externa é sentida nas bombas. Para conter o impacto, o novo ministro apresentou subsídio dividido entre União e Estados, válido até o fim de maio. Segundo dados do Banco Central, o transporte responde por fatia decisiva da inflação e pode contaminar alimentos e serviços em poucos meses.
A medida evita repique de preços agora, mas transfere a conta para o Tesouro num momento em que o limite de crescimento real das despesas é de 2,5% ao ano.
“A prioridade é previsibilidade. O mercado reage mal a mudanças abruptas, portanto é hora de reforçar metas já definidas”, alerta o administrador Raphael Costa.
Equilíbrio fiscal em ano de pouca margem
Durigan foi o braço direito de Fernando Haddad na renegociação da dívida dos estados e na primeira fase da reforma tributária. Agora, o desafio é mostrar que a arrecadação extra de 2025 não foi ponto fora da curva. Especialistas lembram que o atual arcabouço dependeu do aumento de impostos e dá sinais de exaustão antes mesmo de 2027, quando um novo modelo deverá ser discutido.
Sem capital político próprio, o ministro tende a atuar mais como guardião do legado do que como articulador de reformas estruturais. O Congresso esvaziado pela campanha já indica que pautas como o “imposto do pecado” e a PEC do 6×1 devem ficar para depois das urnas.
Pressões eleitorais e cenário pós-2027
A governabilidade até outubro passa por evitar surpresas nos indicadores. Qualquer medida populista que fure o teto informal de credibilidade fiscal pode derrubar o humor do investidor em questão de horas. Já para o ciclo 2027-2030, paira a dúvida: Durigan terá fôlego político para redesenhar regras ou será apenas peça de transição?
Por ora, a resposta virá da capacidade de atravessar os próximos meses sem solavancos — e de convencer governadores a dividir a conta do diesel sem recorrer a aumentos de tributos.
Crédito da imagem: Divulgação
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