Brasília – A comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encara a passagem pelo Sudeste Asiático como oportunidade para distensionar a relação com os Estados Unidos, abalada desde a volta de Donald Trump à Casa Branca em janeiro. O governo brasileiro dá como quase certo um encontro formal entre os dois chefes de Estado no domingo, 26 de outubro, à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Kuala Lumpur, na Malásia.
Tarifas e sanções na mesa
Será a primeira reunião presencial de trabalho desde que Washington impôs tarifa de 50% à maioria dos produtos brasileiros em agosto e abriu investigação por supostas práticas comerciais desleais. Além das tarifas, foram aplicadas restrições de visto a autoridades do país e sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e à esposa dele, Viviane Barci de Moraes.
Em declarações recentes, Trump comemorou o impacto das sobretaxas sobre a pecuária estrangeira, dizendo que “os pecuaristas americanos estão indo bem” graças à medida. Lula, por sua vez, voltou a defender alternativas ao dólar no comércio internacional durante agenda na Indonésia, na quinta-feira (23/10).
Aproximação prévia
Os dois presidentes cruzaram rapidamente os corredores da Assembleia Geral da ONU, em setembro, e chanceleres dos dois países se reuniram em Washington na semana passada. Segundo diplomatas, esses movimentos abriram espaço para diálogo “pragmático” apesar das divergências ideológicas.
Estratégia de diversificação
A ida de Lula ao Sudeste Asiático faz parte da resposta brasileira ao retorno do republicano à Casa Branca. Desde novembro passado, o Palácio do Planalto estimula rotas de exportação alternativas para reduzir a dependência do mercado norte-americano. Com PIB somado de US$ 4 trilhões e mais de 680 milhões de habitantes, os países da Asean formariam, juntos, o quinto maior parceiro comercial do Brasil.
Na Indonésia, Lula e o presidente Prabowo Subianto assinaram acordos em energia, agricultura e ciência. Em Kuala Lumpur, há expectativa de acerto no setor de microprocessadores com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim.
Expectativas para a reunião
Especialistas avaliam que, embora a reversão imediata das tarifas seja improvável, a conversa deve definir a agenda técnica de negociações futuras sobre comércio, energia e cadeias produtivas. O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral lembra que Trump costuma anunciar resultados logo após encontros bilaterais e não descarta algum gesto simbólico.
Dentre as possíveis contrapartidas brasileiras apontadas por analistas estão cotas tarifárias específicas, mecanismos de transparência comercial e cooperação em minerais críticos e energia limpa. Há, porém, consenso de que temas sensíveis, como a política dos EUA para a Venezuela, devem ficar fora da pauta para evitar entraves.
A agenda asiática também serve de preparação para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP-30), que ocorrerá em Belém; assuntos climáticos devem aparecer nas conversas paralelas em Kuala Lumpur.
Se confirmado, o encontro de domingo poderá sinalizar um degelo inicial entre Brasília e Washington, ao mesmo tempo em que o governo brasileiro reforça a estratégia de ampliar laços comerciais com o Sudeste Asiático.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) detalha as investigações comerciais em andamento contra o Brasil.
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Com informações de G1
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