O forte fluxo de recursos estrangeiros colocou a bolsa de valores brasileira entre os destaques globais no início de 2026, mas a escalada da guerra no Oriente Médio já provoca cautela entre investidores e interrompe, por ora, a sequência de recordes do Ibovespa.
Terceiro maior aporte em dez anos
Levantamento da consultoria Elos Ayta aponta que, apenas entre janeiro e fevereiro, o saldo de capital vindo do exterior alcançou R$ 42,56 bilhões na B3 — o terceiro maior resultado para o período na última década. A combinação de juros básicos em 15% ao ano e ações consideradas baratas em dólar ajudou a atrair gestores de fora, que buscam diversificação e retornos mais altos.
O ingresso de recursos sustentou 13 máximas do Ibovespa em 2026 e levou o índice, pela primeira vez, acima dos 190 mil pontos. Ainda assim, o clima mudou após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado: desde o início do conflito, a bolsa já recuou cerca de 5% e voltou ao patamar inferior a 180 mil pontos.
Especialistas veem espaço, mas ritmo depende do cenário externo
Para Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, fatores estruturais permanecem favoráveis ao Brasil, como a expectativa de queda da Selic e o maior risco percebido em bolsas desenvolvidas. O especialista avalia que, mesmo com possível redução do fluxo em março, não há sinal de retirada maciça de capital internacional.
Já Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, destaca o risco de um movimento global de “flight to quality”. Em cenários de tensão, investidores tendem a migrar para ativos de refúgio — dólar e ouro — o que pode limitar ganhos locais no curto prazo.
Na prática, eventuais recuos do Ibovespa podem criar novas oportunidades de entrada, mas a continuidade do rali dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio e do apetite global por risco.
Fonte: g1
Transmissão: Record
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