Washington (EUA) – O governo do presidente Donald Trump revogou nesta sexta-feira (14) a tarifa recíproca de 10% que incidia sobre importações de café, carne, açaí, frutas e outros itens agropecuários. A medida, porém, não altera a sobretaxa adicional de 40% imposta em agosto, que continua valendo para os mesmos produtos.
O que muda
De acordo com a ordem executiva divulgada pela Casa Branca, a redução é retroativa e vale para mercadorias desembaraçadas nos Estados Unidos a partir de quinta-feira (13). A decisão atualiza a lista de produtos com algum grau de isenção tarifária, incluindo carne bovina e café – dois dos principais itens da pauta exportadora brasileira para o mercado norte-americano.
Por que o recuo
O comunicado oficial não detalha motivos, mas fontes do governo citadas pela agência Reuters apontam duas pressões principais: a aceleração da inflação nos alimentos e a proximidade das eleições de meio de mandato. Levantamento do Bureau of Labor Statistics mostra que, no ano encerrado em setembro, o preço médio do café torrado e moído nos supermercados subiu mais de 40%, enquanto carne moída e bananas avançaram 11,5% e 8,6%, respectivamente, frente a uma inflação geral de cerca de 3%.
No início do mês, derrotas do Partido Republicano em pleitos na Virgínia, Nova Jersey e Nova York acenderam o alerta para o impacto dos preços ao consumidor. O recuo nas tarifas é visto nos bastidores como tentativa de reduzir custos na gôndola e conter a insatisfação do eleitorado.
Como foi o histórico do “tarifaço”
- Abril: tarifa recíproca de 10% sobre uma cesta de produtos.
- Agosto: sobretaxa adicional de 40%, elevando o custo total a 50% para itens não isentos.
- Novembro: retirada apenas da parcela de 10%, mantendo os 40% extras.
Negociações com o Brasil
Brasília e Washington intensificaram o diálogo nas últimas semanas. O tema ganhou força após encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em outubro, na Malásia. Na terça-feira (12), em entrevista à Fox News, Trump já havia sinalizado que poderia aliviar sobretaxas sobre o café. Um dia depois, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, reuniram-se para tratar do assunto.
Reação dos setores
O embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificaram a decisão como “boa notícia”, mas ressaltaram que seguem atentos aos itens que continuam com a sobretaxa de 40%.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) celebrou a retirada da tarifa de 10%, afirmando que a mudança “devolve previsibilidade ao setor e cria condições mais adequadas para o bom funcionamento do comércio”. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou estar em contato com parceiros norte-americanos para medir o impacto efetivo da medida.
O Brasil é o maior fornecedor de café aos Estados Unidos e figura entre os principais exportadores de carne bovina para o país. Em 2024, as vendas de carne brasileira para o mercado norte-americano somaram US$ 1,9 bilhão, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com a revogação parcial, o setor exportador aguarda nova rodada de negociações que possa derrubar também a sobretaxa de 40%. Até lá, os embarques seguem sujeitos ao encargo adicional.
Reportagem encerra-se aqui.
Dados detalhados sobre a variação dos preços de alimentos nos Estados Unidos podem ser consultados no site oficial do Bureau of Labor Statistics.
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Resumo: A retirada da tarifa de 10% reduz parcialmente o “tarifaço”, mas a sobretaxa de 40% permanece, mantendo pressão sobre exportadores brasileiros. Continue nos acompanhando para atualizações em tempo real.
Com informações de g1
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