Hong Kong, 25 de agosto de 2025 – A Bolsa de Hong Kong retirou hoje as ações da incorporadora chinesa Evergrande, encerrando mais de dez anos de negociação do papel da companhia que já foi a maior do setor imobiliário da China.
Cenário que levou à exclusão
A deslistagem marca o ponto final de uma trajetória que avaliou a empresa em mais de US$ 50 bilhões no auge. Fundada por Hui Ka Yan, cuja fortuna caiu de aproximadamente US$ 45 bilhões em 2017 para menos de US$ 1 bilhão, a Evergrande acumulou cerca de US$ 300 bilhões em dívidas. A empresa mantinha 1,3 mil projetos em 280 cidades, possuía uma fabricante de carros elétricos e controlava o Guangzhou FC, clube expulso da liga chinesa de futebol neste ano por falta de pagamento.
O colapso começou em 2020, quando Pequim impôs limites ao endividamento de grandes incorporadoras. Para gerar caixa, a companhia passou a vender imóveis com descontos agressivos, mas mesmo assim deu calote em compromissos externos. Em agosto de 2023 pediu proteção contra credores em Nova York. Já em janeiro de 2024, o Tribunal Superior de Hong Kong ordenou a liquidação da companhia, que havia perdido mais de 99 % de valor de mercado.
Montante das dívidas e próximos passos
Documentos apresentados à Justiça revelam passivo de US$ 45 bilhões e apenas US$ 255 milhões recuperados com a venda de ativos. Analistas consideram improvável uma reestruturação. A próxima audiência de liquidação está marcada para setembro, quando será discutido quanto os credores poderão receber.
Impacto na economia chinesa
O setor imobiliário responde por quase um terço do PIB chinês e é destino preferencial da poupança doméstica. Com a queda de pelo menos 30 % nos preços dos imóveis, famílias veem seu patrimônio encolher, reduzindo consumo e investimento. Economistas apontam a crise das incorporadoras, mais do que outros fatores — como tarifas dos EUA, elevada dívida de governos locais ou envelhecimento populacional —, como principal freio da economia.
Mesmo após a injeção de centenas de bilhões de dólares em programas de estímulo, o crescimento do PIB chinês desacelerou para cerca de 5 % ao ano, ritmo considerado modesto para o padrão histórico do país.
Efeito dominó no setor
Outras incorporadoras também enfrentam dificuldades. Em julho, a China South City Holdings recebeu ordem de liquidação do mesmo Tribunal Superior de Hong Kong, enquanto a rival Country Garden ainda negocia a reestruturação de mais de US$ 14 bilhões em dívidas externas, com audiência prevista para janeiro de 2026.
Projeção do Goldman Sachs indica que os preços de imóveis na China continuarão caindo até 2027. Especialistas calculam que o mercado levará cerca de dois anos para se equilibrar, quando a demanda se aproximar da oferta. Até lá, não se espera intervenção direta de Pequim para salvar construtoras, já que o governo prioriza segmentos de alta tecnologia, como energia renovável, carros elétricos e robótica.

Imagem: Internet
A exclusão definitiva da Evergrande da Bolsa de Hong Kong simboliza o ponto mais profundo de uma crise que ainda ameaça todo o setor imobiliário chinês e, por consequência, a segunda maior economia do planeta.
Com informações de g1
Em julho, o Banco Mundial destacou que o ajuste do mercado imobiliário chinês é crucial para o crescimento sustentável do país.
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