A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Sergipe, na sexta-feira, 29/05, continua repercutindo. Dois dias depois da agenda presidencial no estado, a advogada Ana Alves, filha do ex-governador João Alves Filho, divulgou um vídeo nas redes sociais no qual rebate declarações feitas por Lula sobre a transposição do Rio São Francisco e menciona o pai como referência no tema.
Durante o evento em Sergipe, Lula citou a participação de diferentes gestores nordestinos nas discussões sobre a obra hídrica, lembrando que o projeto sofreu atrasos e ajustes ao longo de várias administrações. A menção gerou resposta imediata de Ana, que defendeu o papel de João Alves nesse debate.
“João Alves tratava a transposição com uma seriedade que o Brasil nunca viu. Quando ele morreu, era reconhecido nacionalmente como o maior estudioso de recursos hídricos do país”, afirmou.
No vídeo, publicado em 02/06, Ana também dirigiu críticas pessoais ao presidente e questionou sua trajetória política. Ela chegou a dizer que Lula “não sabe o que é trabalho” e que o país precisa investir mais em educação para escolher melhor seus representantes. O tom duro da gravação repercutiu em diversos perfis sergipanos, dividindo opiniões entre apoiadores e críticos do governo federal.
Outra frente de questionamento de Ana Alves foi a condução das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento regional. Para ela, a retomada de grandes obras estruturantes, como a própria transposição, deve vir acompanhada de geração de emprego e renda. A advogada sugeriu que o Executivo federal reavalie projetos já protocolados no Palácio do Planalto e mencionou estudos que teriam sido apresentados por João Alves ainda no governo Fernando Henrique Cardoso.
“Existe um projeto registrado em Brasília que precisa ser tirado da gaveta. É nele que a nova transposição deveria se basear”, defendeu.
João Alves Filho, falecido em 2020, governou Sergipe em três oportunidades (1983-1987, 1991-1995 e 2003-2007) e também comandou a Prefeitura de Aracaju e o extinto Ministério do Interior. Sua atuação em obras de infraestrutura, como a ponte João Alves e o Canal de Xingó, fez dele uma figura central na política sergipana das últimas quatro décadas. Mesmo após a morte, o legado do engenheiro continua sendo utilizado por aliados e familiares em debates sobre desenvolvimento regional.
A repercussão da fala de Ana expõe o ambiente polarizado que marcou o cenário político brasileiro nos últimos anos. Enquanto grupos à direita elogiaram o tom firme adotado no vídeo, setores alinhados ao governo federal classificaram as declarações como ofensivas e desrespeitosas. Até o momento, o Palácio do Planalto não se pronunciou oficialmente sobre o conteúdo da gravação.
A expectativa agora recai sobre possíveis desdobramentos institucionais. Parlamentares sergipanos ligados a João Alves estudam apresentar requerimentos na Câmara Federal para resgatar documentos técnicos sobre a transposição elaborados pelo ex-governador. Já movimentos sociais próximos ao Planalto preparam atos de apoio às obras já em execução. A discussão envolve não apenas a memória de um dos políticos mais influentes do estado, mas também o futuro da segurança hídrica no Nordeste.
Em meio ao debate, especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que a transposição do São Francisco é tema complexo, que exige consenso técnico e político. Com a agenda de 2026 começando a ganhar contornos eleitorais, as novas rodadas de discussão devem continuar ocupando espaço nas redes e na imprensa sergipana nas próximas semanas.
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