Na noite da última quarta-feira, 27 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou o fim da jornada 6×1, uma decisão que gerou reações contrastantes entre as entidades de trabalhadores e do setor patronal. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) celebrou a medida como uma “vitória histórica da classe trabalhadora”, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a considerou “inadequada e inoportuna”.
A CUT argumenta que a aprovação da nova jornada é resultado de anos de mobilização por parte do movimento sindical. A entidade acredita que essa mudança atende a uma das principais reivindicações da classe trabalhadora nas últimas décadas. Em nota, a central convocou todos os trabalhadores a continuarem a luta, pedindo que o Senado dê sequência à tramitação da proposta.
“Estamos vivendo um momento de conquistas, e precisamos manter a pressão para que essa pauta seja aprovada também no Senado”, afirmou um representante da CUT.
Por outro lado, a CNI expressou preocupação com a nova legislação, afirmando que a redução da jornada de trabalho, sem uma transição adequada e sem aumento de produtividade, pode resultar em custos mais altos e pressões sobre os preços dos produtos e serviços. A confederação argumenta que uma mudança imposta legalmente, sem uma análise cuidadosa, pode afetar negativamente o emprego e a economia.
“Uma eventual redução da jornada de trabalho por imposição legal, sem transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade, tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços”, afirmou um porta-voz da CNI.
A CNI pede uma análise mais equilibrada e técnica do tema, enfatizando que mudanças dessa natureza devem ser discutidas em negociações coletivas, respeitando os acordos e contratos existentes para garantir a segurança jurídica das empresas.
A repercussão da votação também foi sentida em outras entidades, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que criticou a proposta, alegando que a medida foi impulsionada por interesses eleitorais. A Fiesp considera que a proposta representa um retrocesso ao desconsiderar décadas de acordos coletivos e que o Congresso permitiu um rompimento abrupto de contratos vigentes.
“O Congresso autorizou o rompimento abrupto de contratos vigentes”, lamentou um representante da Fiesp.
Entretanto, outras centrais sindicais, como a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), apoiaram o fim da jornada 6×1, classificando a aprovação como uma “vitória” fruto de negociação. As entidades agradeceram ao governo federal pelo apoio e pela “conquista histórica” da classe trabalhadora, destacando a importância do diálogo social com os parlamentares.
Além disso, as centrais afirmaram que a nova jornada pode trazer melhorias na qualidade de vida dos trabalhadores, proporcionando mais tempo para a família, saúde e lazer. Elas ressaltaram que a mudança tem como base experiências bem-sucedidas em outros países, que resultaram no aumento da produtividade e na geração de empregos.
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