O presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve vantagem na disputa comercial com os Estados Unidos, segundo avaliação publicada nesta sexta-feira (28) pela colunista Gillian Tett, do jornal britânico Financial Times. Após meses de tensão, Washington revogou a sobretaxa de 40% sobre mais de 200 produtos brasileiros, imposta em agosto pelo então presidente Donald Trump.
A retirada das tarifas extras beneficia itens como café, carne bovina, cacau e diversas frutas. A medida foi confirmada na semana passada, depois de reunião em Washington entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A decisão amplia a lista de exceções ao chamado “tarifaço”, que já havia sido parcialmente flexibilizado dias antes.
Origem do impasse
Em agosto, Trump justificou o aumento tarifário alegando ameaças à segurança nacional dos EUA. A Casa Branca acusou autoridades brasileiras — especialmente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — de perseguir apoiadores de Jair Bolsonaro, censurar empresas de tecnologia norte-americanas e restringir a liberdade de expressão.
Mesmo sob pressão, relembra o Financial Times, Lula adotou postura de confronto diante das ameaças. Para Gillian Tett, a firmeza contribuiu para fortalecer a imagem do presidente no cenário interno.
Três lições do episódio
No artigo, Tett extrai três conclusões:
1. Sensibilidade aos preços: a Casa Branca teria recuado para atenuar o custo de vida nos EUA, em queda de popularidade de Trump.
2. Força reage à força: países como China e, agora, Brasil mostrariam que enfrentar retaliações pode surtir efeito contra governos considerados “valentões”.
3. Separar tática de objetivo: segundo a colunista, a imprevisibilidade de Trump compõe uma estratégia que visa apenas obter vantagem negociadora, permitindo mudanças bruscas sem constrangimento.
Tett indica que o recuo em relação ao Brasil segue um padrão: movimentos melodramáticos usados como ferramenta de barganha. Na mesma semana, lembra ela, Trump também reaproximou-se de outras lideranças, ilustrando a flexibilidade de sua política externa.
Ao final do texto, a jornalista reforça que compreender a diferença entre sinal e ruído é essencial para lidar com a atual Casa Branca. No caso brasileiro, conclui, o sinal enviado foi claro: “reis raramente são tão todo-poderosos quanto parecem”.
De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil permanece entre os maiores fornecedores de produtos agrícolas para o mercado norte-americano.
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Com informações de G1
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