Em 2 de junho de 2026, terça-feira, a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (FITERT) ocupou a mesa do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional, em Brasília, para tratar de um dos temas que mais preocupam profissionais da notícia e eleitores: o avanço da desinformação nos períodos de campanha. A data marcou a primeira audiência do ano dedicada exclusivamente a ferramentas de prevenção contra notícias falsas e manipulação de conteúdo.
Representaram a categoria os conselheiros Fernando Cabral e Ricardo Ortiz, que acompanharam explanações de especialistas convidados pela presidente do CCS, Patrícia Blanco. Participaram ainda a assessora-chefe de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tatiane da Costa Almeida; o advogado e pesquisador Diogo Rais; a diretora de projetos do Aláfia Lab, Maria Paula Almada; a pesquisadora do NetLab/UFRJ, Débora Salles; e o presidente do Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político, Bruno Hoffman. O grupo apresentou dados sobre o impacto de boatos on-line, deepfakes e o uso crescente de inteligência artificial em campanhas.
“Os radialistas e comunicadores exercem uma função essencial na construção de uma sociedade bem informada. Fortalecer mecanismos de combate à desinformação é também fortalecer a democracia e garantir que o cidadão tenha acesso a informações confiáveis para exercer seu direito de escolha”, afirmou Fernando Cabral.
Segundo Cabral, a federação — que abriga profissionais de todo o país, inclusive os mais de quatro mil trabalhadores sergipanos do setor — pretende divulgar em breve um protocolo de boas práticas para emissoras de rádio e televisão durante o horário eleitoral gratuito.
“O debate promovido pelo CCS é fundamental para aperfeiçoarmos critérios que valorizem a informação correta e a ética na comunicação. As eleições exigem um ambiente informativo seguro, transparente e comprometido com a verdade dos fatos”, destacou Ricardo Ortiz.
Os convidados do CCS também chamaram atenção para a velocidade com que conteúdos distorcidos se espalham em aplicativos de mensagem e redes sociais. Pesquisas apresentadas mostram que 70 % dos eleitores recebem algum boato político pelo celular na semana que antecede o voto, tornando a checagem profissional indispensável.
Para enfrentar o problema, foram sugeridas ações conjuntas entre emissoras, plataformas digitais, agências de checagem e órgãos públicos. Entre as propostas estão a criação de selos de verificação visíveis ao público, a ampliação de ferramentas que identifiquem deepfakes em tempo real e campanhas educativas voltadas a eleitores de todas as faixas etárias.
A participação da FITERT reforça o compromisso dos trabalhadores de rádio e TV, inclusive no interior sergipano, com a produção de jornalismo rigoroso. A entidade avalia que, além de normas legais, é preciso investir em treinamento permanente das redações e manter canais abertos para que o público aponte possíveis erros ou distorções.
No encerramento da reunião, Patrícia Blanco adiantou que um relatório com as recomendações será encaminhado ao TSE ainda neste mês. O documento deverá embasar novas resoluções que valerão já para as eleições municipais de outubro, quando mais de 148 milhões de brasileiros irão às urnas.
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