O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, declarou nesta sexta-feira (6) que ainda não recebeu convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar a diretoria do Banco Central, mas afirmou que está “à disposição” caso a indicação se concretize.
Ao ser questionado por jornalistas, Mello disse sentir-se “lisonjeado” pela lembrança de seu nome e destacou estar “feliz pela confiança do ministro” Fernando Haddad, que, durante a semana, confirmou ter sugerido o economista ao presidente para a vaga na autarquia responsável por fixar a taxa básica de juros.
Perfil acadêmico e carreira
Guilherme Mello é graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui mestrado em Economia Política pela PUC-SP e doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas.
Reações do mercado
A notícia da possível indicação, divulgada no fim de semana, repercutiu negativamente entre analistas do mercado financeiro, que veem em Mello um perfil desenvolvimentista favorável a cortes mais rápidos dos juros, o que, segundo eles, poderia dificultar o controle da inflação.
Copom e cortes de juros
Indagado sobre a chance de a Selic começar a cair em março, conforme sinalizou o Comitê de Política Monetária (Copom), Mello ressaltou que não dispõe “dos instrumentos necessários para avaliar” porque não faz parte do BC. “Tenho consciência de que o Banco Central tem feito um trabalho importante. Qual magnitude [do corte], eles é que vão informar com base nas melhores informações que tiverem”, afirmou.
Relação com Galípolo
Mello revelou ser amigo do presidente do BC, Gabriel Galípolo, desde a época da faculdade, mas disse que ainda não conversou sobre o assunto com ele porque a decisão depende do presidente Lula.
Vagas em aberto
Os postos na diretoria do Banco Central se abriram no início deste ano após a saída dos últimos diretores indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Diogo Guillen (Política Econômica).
Com a autonomia da instituição, aprovada pelo Congresso e sancionada em 2021, o presidente da República indica diretores para mandatos de quatro anos, não podendo substituí-los antes do término.

Diretoria de Política Econômica
A cadeira de diretor de Política Econômica, vaga desde janeiro, é considerada fundamental por ser responsável por apresentar ao Copom cenários macroeconômicos, projeções e recomendações sobre a taxa de juros, que está no maior nível em quase duas décadas.
No último encontro, o Copom sinalizou que pretende iniciar a flexibilização monetária em março.
Para mais detalhes sobre a Lei Complementar 179/2021, que estabelece a autonomia do Banco Central, consulte o site oficial do Banco Central do Brasil.
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Com informações de g1.globo.com
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