O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (3) que encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o nome de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica da pasta, para compor a diretoria do Banco Central (BC). Segundo o ministro, a decisão final segue nas mãos do chefe do Executivo e ainda não foi formalizada.
Haddad contou que a indicação foi feita há três meses e que, desde então, não houve nova conversa sobre o tema. “Três semanas atrás, ele [Lula] disse que nos chamaria para tratar do assunto, mas ainda não tomou uma decisão. O vazamento da informação não ajudou ninguém”, afirmou em entrevista à Band News.
Repercussão no mercado
A revelação do nome de Mello no fim de semana provocou reação negativa entre analistas financeiros, que veem no economista um perfil desenvolvimentista e temem pressões por cortes mais rápidos na taxa de juros, o que poderia impactar o controle da inflação.
Trajetória do indicado
Guilherme Mello é graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui mestrado em Economia Política pela PUC-SP e doutorado em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Outro nome sugerido
Além de Mello, o ministro informou ter sugerido o economista Tiago Cavalcanti, professor catedrático da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Cavalcanti formou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco (1995) e concluiu mestrado (1997) e doutorado (2001) na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.
Vagas abertas na diretoria
Os cargos em questão ficaram vagos no início deste ano com as saídas de Renato Gomes (Diretoria de Organização do Sistema Financeiro) e Diogo Guillen (Diretoria de Política Econômica), ambos indicados durante o governo Jair Bolsonaro. Conforme a Lei de Autonomia do BC, sancionada em 2021, presidente e diretores têm mandatos de quatro anos, não podendo ser substituídos antes do término.
A partir de 2025, a maioria da diretoria do BC passará a ser formada por indicados da atual gestão. Mesmo assim, críticas às decisões sobre a taxa Selic continuam partindo de integrantes do governo.

Posicionamento de Galípolo
No fim do ano passado, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, evitou comentar futuras indicações. “Cabe ao presidente Lula anunciar nomes e perfis”, limitou-se a dizer.
Para saber mais sobre o funcionamento da autoridade monetária, o Banco Central disponibiliza informações detalhadas sobre a Lei de Autonomia.
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Com informações de G1
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