Na sexta (28/8), o Imbuaça — o teatro de rua mais antigo de Sergipe — completou 49 anos com apresentação na Praça Fausto Cardoso, em Aracaju. 'De Mulambo e Filó' homenageia Dona Lalinha e mostra a luta das companhias de rua.
O grupo de teatro de rua Imbuaça, reconhecido como o mais antigo em atividade ininterrupta no estado, celebrou nessa sexta-feira, 28 de agosto, 49 anos de trajetória e resistência cultural. A comemoração teve como ponto alto a estreia do espetáculo "De Mulambo e Filó", apresentada na Praça Fausto Cardoso, em Aracaju.
O novo trabalho é uma homenagem a Dona Lalinha do Reisado de Laranjeiras, artista popular que faleceu há 30 anos. A peça retrata a história de uma companhia de teatro de rua e a luta pela sobrevivência dessas iniciativas artísticas, sempre marcadas pela relação com as tradições populares sergipanas.
Ao longo de quase cinco décadas, o Imbuaça atuou na formação de novos artistas e na manutenção das práticas do teatro de rua, preservando manifestações culturais locais e a literatura de cordel como base estética e narrativa de suas apresentações. O grupo manteve sua atividade apesar das dificuldades financeiras e estruturais que afetam boa parte das iniciativas culturais no estado.
“Nós exigimos que haja sempre políticas públicas para as manifestações artísticas. Eu não falo especificamente do teatro, mas falo de todas as manifestações, inclusive das culturas populares. Nós acreditamos que as festas cumprem uma importância muito grande dentro do calendário, mas é necessário pensar nesses grupos que precisam sobreviver. Acredito que é extremamente importante que a gente tenha, no Congresso Nacional, parlamentares que possam destinar emendas parlamentares às manifestações artísticas, para a sobrevivência e manutenção dessas manifestações no seu cotidiano”, disse Lindolfo Amaral.
A atriz e professora Sandy Soares também chamou atenção para a necessidade de garantir condições para que os grupos culturais já existentes consigam continuar atuando. Em seu depoimento, ela ressaltou que, embora surjam muitos coletivos em Aracaju e em outras partes de Sergipe, nem todos conseguem se manter ao longo do tempo.
“Acredito que aqui em Sergipe a gente precisa de bons projetos, de projetos que incentivem que a arte seja levada, que continuem também os projetos já existentes, a manutenção dos grupos. Hoje em dia, a gente tem muitos grupos em Aracaju que nascem aqui em Sergipe, mas que às vezes não conseguem permanecer. Então, eu acredito que seria realmente esse investimento para a manutenção das sedes, para a valorização das oficinas de teatro que esses grupos oferecem”, pontuou Sandy Soares.
Em sintonia com as demandas apresentadas pelos artistas, o candidato a deputado federal Robson Viana incluiu a valorização da cultura sergipana entre as propostas de seu mandato, com ações voltadas ao fortalecimento da produção cultural e ao apoio a quem vive da arte.
“Valorizar a cultura sergipana é preservar a nossa identidade, a nossa história e as nossas tradições, mas também reconhecer que a cultura movimenta a economia, gera trabalho, renda e oportunidades. Quem vive da arte precisa ter apoio e condições para continuar produzindo e transformando a vida das pessoas”, afirmou Robson Viana.
O aniversário do Imbuaça e a estreia de "De Mulambo e Filó" reforçaram o papel do grupo como guardião de elementos da cultura popular sergipana e como espaço de formação artística, ao mesmo tempo em que evidenciaram a necessidade de políticas públicas e investimentos para garantir a continuidade dessas práticas.
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








