Piracicaba (SP), 18 de agosto de 2025 – Produtores brasileiros de laranja negociam a safra 2025/26 em ritmo mais lento que o habitual. A cautela, apontada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), decorre da possibilidade de novos aumentos tarifários pelos Estados Unidos, mesmo após o suco de laranja ter ficado fora da recente sobretaxa norte-americana.
O que motiva a preocupação
Embora o suco de laranja esteja isento da alíquota adicional de 40%, subprodutos essenciais da cadeia, como óleos essenciais e células cítricas, continuam enfrentando tarifa de 50% no mercado americano. Esse cenário, somado à safra tardia e à queda de preços registrada após março, faz a indústria retardar novos acordos.
Segundo o Cepea, nos anos anteriores os contratos eram fechados ainda no primeiro semestre. Em 2025, as negociações estão sendo postergadas porque empresas preferem monitorar oferta e demanda antes de assumir compromissos.
Exportações em queda, receita em alta
Na safra 2024/25, encerrada em junho, o volume de suco de laranja exportado pelo Brasil foi o menor em quase três décadas. Mesmo assim, a receita subiu 28,4% em comparação ao ciclo anterior, alcançando US$ 3,48 bilhões. A oferta restrita do produto sustentou os preços internacionais, minimizando o impacto da tarifa extra de 10% implementada pelos EUA no período.
A carta enviada pelo ex-presidente Donald Trump ao governo brasileiro prevê a possibilidade de elevar a taxa sobre o suco de laranja para até 50%. A eventual medida preocupa o setor, sobretudo diante da expectativa de maior produção nacional nas próximas temporadas.
Greening avança em Limeira
Enquanto acompanham as discussões tarifárias, citricultores de Limeira (SP) intensificam campanha contra o greening, doença bacteriana considerada a mais destrutiva da citricultura. Desde junho, a prefeitura promove a substituição de murtas (Murraya paniculata), plantas ornamentais que hospedam o inseto transmissor.
Mercado norte-americano paga mais caro
Com a produção doméstica em queda – resultado de furacões, baixas temperaturas e do próprio greening – os Estados Unidos tornaram-se mais dependentes das importações. A lata de 473 ml de suco de laranja atingiu em fevereiro o preço recorde de US$ 4,49 (cerca de R$ 24,84).

Imagem: g1.globo.com
Para o Cepea, a capitalização obtida com as exportações recentes ajuda o setor brasileiro a enfrentar um cenário que continua marcado por incertezas tarifárias e sanidade vegetal.
Um panorama atualizado sobre tarifas aplicadas a produtos agrícolas pode ser consultado no site do Cepea/Esalq-USP.
Quer saber mais sobre o impacto das políticas comerciais em outros mercados? Acesse a seção de Internacional para continuar informado.
Resumo: produtores de laranja adiam contratos à espera de definições tarifárias dos EUA; em paralelo, Limeira combate o greening, e o preço do suco segue em alta no mercado americano. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta matéria.
Com informações de g1
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