A inflação na Argentina registrou alta de 2,1% em setembro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado nesta terça-feira (14) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O resultado confirma as projeções de analistas do mercado.
Com o avanço, a variação de preços em 12 meses caiu para 31,8%, abaixo dos 33,6% verificados até agosto.
Setores que mais pressionaram
As maiores elevações em setembro ocorreram em habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, e em educação, ambos com 3,1%. Na sequência aparecem transporte (3%), saúde (2,3%) e equipamentos e manutenção do lar (2,2%).
Estagnação entre 2% e 3% ao mês
Ao longo de 2025, a inflação mensal argentina tem oscilado entre 2% e 3%, ritmo considerado elevado pelo governo de Javier Milei, que busca manter o índice abaixo de 2% para prosseguir com o programa de abertura cambial.
Ajuste econômico
Desde que assumiu a presidência, em dezembro de 2023, Milei promoveu um forte corte de gastos públicos, suspendeu obras federais e reduziu subsídios a tarifas de serviços essenciais. As medidas resultaram em superávits fiscais, mas também elevaram preços ao consumidor e provocaram protestos em várias cidades.
Crise política e impacto no mercado
No mês passado, um suposto caso de corrupção envolvendo a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, desencadeou uma crise política que culminou na derrota do governo nas eleições da província de Buenos Aires. No dia seguinte ao pleito, o peso argentino caiu para 1.423 por dólar, aprofundando a volatilidade cambial.
Apoio dos Estados Unidos
Para conter a pressão sobre a moeda, o governo norte-americano fechou um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com a Argentina e comprou pesos no mercado. O presidente Javier Milei se reuniu com Donald Trump na Casa Branca nesta terça-feira para discutir novos mecanismos de socorro.
Entendimento com o FMI
Em abril, a gestão Milei firmou um empréstimo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Como contrapartida, o país assumiu metas de redução da inflação e flexibilização do controle cambial, substituindo a paridade fixa do peso por um regime flutuante.
Medidas recentes
Entre maio e junho, o Banco Central da Argentina anunciou iniciativas monetárias, fiscais e cambiais para reforçar as reservas em moeda estrangeira. Entre elas estão a possibilidade de uso de dólares mantidos fora do sistema financeiro e emissões de títulos para captar até US$ 2 bilhões.
De acordo com o Banco Central da República Argentina, a autoridade monetária continuará intervindo no câmbio sempre que considerar necessário para evitar movimentos abruptos do peso.
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Apesar da desaceleração no acumulado anual, a manutenção de índices mensais acima da meta oficial mantém a inflação como principal desafio do governo argentino.
Com informações de g1
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