Rio de Janeiro – A 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital fluminense homologou, nesta quarta-feira (30), o pedido de recuperação judicial apresentado pela Ambipar e empresas coligadas, entre elas a Environmental ESG Participações.
O requerimento foi protocolado no início de outubro, após a companhia enfrentar crise de caixa e a possibilidade de vencimento antecipado de dívidas que somam bilhões de reais. Nos Estados Unidos, a Ambipar Emergency Response também solicitou proteção contra credores sob o Capítulo 11 – instrumento equivalente à recuperação judicial brasileira.
Investigações sobre operações financeiras
De acordo com a petição entregue ao Judiciário, suspeitas de irregularidades em operações de swap conduzidas pela antiga diretoria financeira desencadearam a deterioração da confiança do mercado. A apuração teve início depois da saída repentina do ex-diretor financeiro João de Arruda, cuja conduta está sendo investigada na esfera criminal.
A troca no comando das finanças, agora com Ricardo Garcia acumulando a função de CFO e relações com investidores, coincidiu com uma queda de 93 % nas ações da empresa desde a primeira medida cautelar obtida em setembro.
Riscos de cross-default
A Ambipar já havia conseguido, no fim de setembro, decisão liminar que suspendeu cláusulas contratuais capazes de acelerar o vencimento de obrigações. A empresa alertou para o perigo de disparo de cláusulas de vencimento cruzado (cross-default) que poderiam gerar um impacto de R$ 10 bilhões e levar o grupo à insolvência imediata.
Um dos estopins foi a demanda do Deutsche Bank por garantias adicionais em uma operação de crédito, o que consumiu rapidamente parte relevante do caixa.
Reflexos no mercado
A crise financeira se intensificou no segundo semestre de 2025. No balanço do segundo trimestre, o grupo registrou prejuízo de R$ 134,1 milhões, revertendo o lucro de R$ 45,5 milhões do mesmo período de 2024. Além disso, a B3 excluiu os papéis da companhia de nove índices e retirou o selo de ações verdes, citando preocupações de governança.
Investidores em Certificados de Operações Estruturadas (COEs) vinculados à Ambipar, distribuídos por corretoras como XP e BTG Pactual, também contabilizaram perdas expressivas.
Histórico de expansão
Fundado em 1995 por Tércio Borlenghi Neto, o Grupo Ambipar cresceu com foco em soluções ambientais, passando a atuar em 41 países e a empregar mais de 23 mil funcionários. Após a oferta pública inicial em 2020, a empresa investiu cerca de R$ 1,5 bilhão na aquisição de 22 companhias em apenas um ano, estratégia que, somada à valorização do dólar, elevou o endividamento e prejudicou a geração de caixa.
Com a decisão judicial desta quarta-feira, a Ambipar terá prazo para apresentar plano de recuperação que contemple negociação com credores e medidas de reestruturação operacional.
Esta matéria acompanha a situação e será atualizada caso haja novos desdobramentos.
Com informações de g1.globo.com
Em nota técnica, o Ministério da Fazenda detalha o funcionamento da recuperação judicial no país, instrumento que vem ganhando relevância no cenário empresarial.
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O processo de recuperação judicial da Ambipar marca um novo capítulo na trajetória da companhia. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta reportagem para que mais pessoas entendam os próximos passos do caso.
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