A Prefeitura de Lagarto, via Seminc, realizou na tarde de quarta (29) uma roda de conversa no Centro Prof. Abelardo Dantas. No 'Julho das Pretas', o encontro tratou de racismo e visibilidade das comunidades quilombolas.
A Prefeitura Municipal de Lagarto (PML), por meio da Secretaria Municipal de Inclusão das Pessoas com Deficiência, Acessibilidade e Direitos Humanos (Seminc), promoveu na tarde desta quarta-feira, 29, no Centro de Excelência Prof Abelardo Romero Dantas, a roda de conversa intitulada “Mulheres Quilombolas: Tradição, Luta e Identidade”. O evento, que ocorre no contexto do “Julho das Pretas”, tem como objetivo debater estratégias para combater o racismo e garantir visibilidade e respeito às conquistas e potencialidades dessa parcela da população.
A mesa de debate contou com a participação da Profa. Dra. Rita Bittencourt, docente do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Sergipe (UFS), e das presidentes de diferentes associações quilombolas, incluindo Maria Isabel Barros, da Liga Acadêmica de Saúde Mental, Inclusão e Cidadania da População Quilombola, Veroníca Batista, da Associação do Povoado Quilombo, e Suely de Jesus, da Associação Quilombola Mestre Primo.
No início do evento, duas alunas declamaram os poemas “A noite não adormece nos olhos das mulheres”, de Conceição Evaristo, e “Antirracismo”, de Beatriz Nascimento. A iniciativa foi planejada pela administração municipal com a intenção de alcançar a juventude e promover a conscientização sobre os temas debatidos.
“Estamos no Julho das Pretas e sua grande representante é a Tereza de Benguela, que liderou o Quilombo do Quariterê. É simbólico trazer esse debate com mulheres quilombolas aqui de Lagarto, abrindo espaço para discutir suas lutas, identidades e protagonismos, especialmente com o público jovem. É fundamental entrar no espaço da educação para quebrar estereótipos e paradigmas”, destacou a coordenadora de Igualdade Racial na Seminc, Lúcia Vieira.
A Profa. Dra. Rita Bittencourt comentou sobre a importância do diálogo com os estudantes do ensino médio. Ela apontou que o racismo, enraizado na sociedade brasileira, causa sofrimento e que promover a discussão é uma maneira de apresentar uma história frequentemente invisibilizada, além de fortalecer o reconhecimento das identidades negras e quilombolas.
“O racismo é estrutural. É uma chaga na estrutura social brasileira que se perpetua no cotidiano, muitas vezes sem reflexão. Conversar com a juventude sobre isso é dar a oportunidade de conhecer uma história apagada e resgatar o sentimento de pertencimento, avançando para um futuro mais justo e igualitário”, afirmou.
A presidente da Associação Quilombola Mestre Primo, Suely de Jesus, enfatizou a relevância do momento de diálogo, considerando-o uma oportunidade valiosa para o compartilhamento de experiências e aprendizado. “É muito importante, uma troca de conhecimentos. Significa fortalecer a cultura e entender melhor a nossa história e realidade. Costumo dizer que o nosso sobrenome é luta, por isso precisamos de ajuda, inclusive da juventude”, disse.
A atividade realizada hoje reforça o papel das instituições de ensino na promoção de reflexões contínuas sobre relações étnico-raciais, como destacou a professora de língua portuguesa Catiana Santos Correia. “A gente vem desenvolvendo com frequência essas discussões por entender que são extremamente necessárias. A escola precisa oferecer referências positivas aos estudantes em relação à negritude. Em ações como essa, onde mulheres discutem o feminismo negro e o empoderamento, é muito potente”, concluiu.
Por meio da aproximação de estudantes, lideranças comunitárias e representantes da universidade, a administração municipal busca fortalecer o diálogo, ampliar o acesso ao conhecimento e incentivar a formação de uma sociedade mais justa, inclusiva e respeitosa com a diversidade.
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