Kuala Lumpur (Malásia) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiveram neste domingo (26), madrugada de segunda-feira pelo horário de Brasília, o primeiro encontro bilateral desde a breve conversa que tiveram na Assembleia Geral da ONU em setembro. A reunião durou cerca de 45 minutos e abriu um canal formal de negociação para tentar derrubar a tarifa de 50% aplicada pelos EUA às exportações brasileiras e as sanções impostas a autoridades do país.
Compromisso para avanço técnico
Ao fim da reunião, Lula declarou que as equipes dos dois governos “vão se reunir imediatamente” para buscar soluções. Ficou agendado um encontro nesta segunda-feira (27), às 9h, entre representantes brasileiros e o representante Comercial norte-americano, Howard Lutnick; o secretário do Tesouro, Scott Bessent; e o secretário de Estado, Marco Rubio.
Lula argumentou que a sobretaxa “não tem base técnica” e lembrou que os EUA registram superávit na balança comercial com o Brasil. Também solicitou a revogação das sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicadas após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe.
Declarações antes da conversa reservada
Na breve fala a jornalistas, Trump disse ser “uma honra” receber Lula e previu “alguns bons acordos”. Questionado sobre Bolsonaro, afirmou sentir “pena” pelo que o ex-mandatário enfrentou, mas evitou detalhar se o tema entraria na pauta. Segundo integrantes da delegação brasileira, Lula repetiu que o processo contra Bolsonaro respeitou o devido processo legal.
Visitas recíprocas e mediação na Venezuela
O chanceler Mauro Vieira avaliou o encontro como “muito positivo” e informou que Lula e Trump combinaram visitas oficiais aos respectivos países. Lula também se colocou à disposição para atuar como interlocutor entre Washington e Caracas, defendendo a manutenção da América do Sul como “zona de paz”.
Próximos passos
A expectativa do governo brasileiro é obter, nas próximas semanas, a suspensão temporária das tarifas enquanto prosseguem as tratativas setoriais. A equipe dos EUA, segundo Vieira, recebeu orientação de Trump para dar início imediato ao processo de revisão.
O tema ganhou relevância após o governo norte-americano enviar ao Brasil, no início do mês, carta relacionando as tarifas à condenação de Bolsonaro. A medida foi articulada depois que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) deixou o país e levou o caso do pai a autoridades em Washington.
A ofensiva diplomática se intensifica em meio à tensão regional. Nas últimas semanas, navios foram atacados em águas internacionais próximas à Colômbia, fato que elevou a pressão militar dos EUA sobre a Venezuela sob a justificativa de combate ao narcotráfico.
As delegações voltam à mesa de negociação na manhã de segunda. O governo brasileiro pretende apresentar cálculos mostrando o impacto das tarifas em setores como aço, alumínio e produtos agrícolas.
Negociações continuam e novas etapas serão anunciadas após a reunião técnica de segunda-feira.
Dados do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) indicam que, em 2024, o superávit comercial norte-americano sobre o Brasil superou US$ 7 bilhões, reforçando o argumento brasileiro contra a tarifa.
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Resumo: Lula e Trump abriram diálogo direto para rever tarifas e sanções, com expectativa de avanços nas próximas semanas. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta matéria com quem se interessa por comércio exterior.
Com informações de g1
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