Sergipe tem 36% das empresas ativas lideradas por mulheres. O número, divulgado pelo Sebrae, mostra que o empreendedorismo feminino cresce e muda a economia do estado.
Em 07/06, números do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) reforçaram uma tendência que já se faz notar nas ruas, feiras e plataformas digitais de Sergipe: o protagonismo feminino na abertura e gestão de empresas. Segundo a instituição, mais de 97 mil negócios ativos no estado são comandados por mulheres, representando 36% do universo empresarial sergipano.
A onda empreendedora acompanha o avanço registrado em todo o país. O Sebrae estima que o Brasil possua mais de 10 milhões de empreendimentos liderados por mulheres, alta de 42% entre 2012 e 2024. A maioria delas, 56,8%, atua no setor de serviços. O recorte racial revela outra marca que chama atenção: 50,4% das empreendedoras brasileiras se autodeclaram negras.
Esse cenário começou a ganhar contornos mais robustos na década de 1990, quando levantamentos acadêmicos e políticas públicas específicas passaram a focalizar a presença feminina no mundo dos negócios. Mas é bom lembrar que o caminho foi pavimentado bem antes, em 1962, quando o Estatuto da Mulher Casada (Lei nº 4.121) aboliu a exigência de autorização do marido para que elas pudessem abrir um comércio próprio.
Em Sergipe, parte desse avanço tem como combustível o Programa Sebrae Delas, em operação desde 2020. A analista técnica do Sebrae no estado, Mariana Araújo, informou que a iniciativa já contabiliza mais de 20 mil atendimentos.
“Somente em 2026 já ultrapassamos 4 mil orientações, entre consultorias, cursos e encontros de imersão. Basta a empreendedora nos procurar que terá acompanhamento gratuito”, destacou Araújo.
As ações incluem capacitações, encontros de networking e o retorno, em 2022, do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, que reconhece trajetórias inspiradoras. Uma dessas histórias é a da marisqueira e líder comunitária Anatalia Costa Neta, a Naty, moradora do povoado Terra Caída, em Indiaroba.
Nascida no povoado Cajazeiras, em Santa Luzia do Itanhy, Naty enfrentou desafios desde a infância. Aos 12 anos, trabalhou como empregada doméstica em Aracaju; aos 13, voltou à roça para ajudar a família. A virada aconteceu em 2018, quando abriu uma pequena lanchonete e passou a identificar oportunidades de geração de renda para outras mulheres da comunidade.
“Percebi que muitas vizinhas tinham habilidades valiosas, mas faltava incentivo. Resolvi reunir todas e buscar o Sebrae para capacitações”, lembrou.
O resultado foi o surgimento do Grupo Mulheres Empoderadas de Terra Caída, voltado ao fortalecimento do comércio local e à autonomia financeira das participantes. Em 2023, a mobilização conquistou reconhecimento estadual, ajudando a diversificar a economia do povoado com produção de bolos, peças artesanais e serviços de turismo comunitário.
Casos como o de Naty revelam que, para além dos dados estatísticos, há vidas transformadas. Segundo levantamento interno do Sebrae Sergipe, mais de 45% das empresárias que procuraram a instituição afirmam ter iniciado o negócio depois de buscar orientação técnica.
Outra pesquisa nacional aponta que mais de 50% das mulheres que comandam empresas têm ensino superior completo, superando a proporção observada entre homens empreendedores com a mesma escolaridade. Esse diferencial acadêmico se reflete na gestão: negócios liderados por mulheres apresentam maior taxa de sobrevivência nos primeiros cinco anos de atividade, ainda de acordo com o Sebrae.
Apesar dos avanços, especialistas lembram que desafios persistem. A diferença salarial, o acesso a crédito e o acúmulo de responsabilidades domésticas continuam sendo barreiras. Porém, a cada nova empresa aberta em bairros de Aracaju, Itabaiana ou Lagarto, cresce a percepção de que esse movimento é irreversível.
Para quem deseja empreender, a orientação continua a mesma: estudar o mercado, planejar finanças e buscar capacitação. Em Sergipe, o Sebrae mantém plantões presenciais e virtuais. Aos poucos, essas ferramentas transformam lutas individuais em conquistas coletivas, movendo a economia local e inspirando novas gerações de sergipanas.

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