A confirmação de que a ex-primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern se mudou com a família para Sydney, na Austrália, trouxe novo fôlego às discussões sobre a saída em massa de profissionais qualificados do país insular, tema abordado em reportagem do g1 veiculada em transmissões da Record e da Band.
Segundo levantamento citado na matéria, mais de 66 mil neozelandeses deixaram o país no último ano — uma média de 180 pessoas por dia. Para uma população total de 5,3 milhões, o movimento acende alerta sobre perda de mão de obra especializada, especialmente entre os mais jovens.
O pesquisador Alan Gamlen, diretor do centro de migração da Universidade Nacional Australiana, afirma que a ida de Ardern deve ser vista como “símbolo” de um fluxo crescente que ganhou força nos últimos cinco anos. “Para alguns, parecerá uma deserção”, avaliou.
Custos altos e mercado de trabalho limitado impulsionam saída
Fatores como economia estagnada, aumento do custo de vida, inflação sem contrapartida salarial e déficit habitacional são apontados como gatilhos para o deslocamento. Produtos básicos figuram entre os mais caros do mundo desenvolvido, enquanto o preço dos imóveis pressiona ainda mais o orçamento das famílias.
A administradora Nicole Ballantyne, de 27 anos, é um exemplo. Ela trocou Auckland por Sydney em busca de estudos universitários e hoje não planeja regressar. “Se Auckland oferecesse as mesmas oportunidades de carreira e conexão com o mundo, eu teria ficado”, disse à reportagem. O irmão dela e todo o círculo de amigos do ensino médio também migraram.
A facilidade de se estabelecer na Austrália – onde os neozelandeses contam com direitos de trabalho praticamente iguais há mais de meio século – coloca o país vizinho como destino preferencial. Reino Unido e Estados Unidos aparecem em seguida.
Preocupação política para as eleições de novembro
O tema ganhou espaço no debate político interno. A deputada trabalhista Ginny Andersen relatou que o próprio filho se mudou para Melbourne em busca de emprego, enquanto o irmão, professor formado, foi para a China por melhores salários. Já o ministro da Habitação, Chris Bishop, reconheceu “profundo mal-estar” com a situação, mas disse ver “bons progressos” para tornar a Nova Zelândia mais atraente aos seus cidadãos.
Especialistas ponderam que parte dos emigrantes retorna trazendo experiência e redes internacionais, algo que pode beneficiar o país no longo prazo. No entanto, a percepção de perda de talentos no curto prazo permanece como desafio central.
Ardern deixou a vida pública em janeiro de 2023, passou temporada acadêmica em Harvard (EUA) e, depois de viagens, decidiu fixar residência em Sydney “por enquanto”, segundo seu escritório.
Contexto regional – Embora a realidade neozelandesa seja distinta, a discussão sobre retenção de profissionais também encontra eco em estados brasileiros como Sergipe, que buscam fortalecer programas de qualificação e oportunidades locais para evitar a saída de jovens em busca de melhores condições em outros centros.
Fonte: g1
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