
Aracaju, 24 de janeiro de 2026 – O analista de mercado norueguês Bjørn-Eirik Olsen, então com 28 anos, deu início em 1986 a uma estratégia que transformaria o hábito de consumo de sushi no Japão e, depois, no restante do mundo: inserir o salmão cru na culinária japonesa.
Projeto para abrir mercado
Naquela época, a Noruega vivia o auge da produção de salmão em cativeiro, mas precisava de novos compradores. Para isso, o governo criou o Projeto Japão, cujo objetivo inicial era promover espécies como capelim e arenque no mercado japonês. Olsen, apaixonado pela cultura japonesa desde que assistiu ao filme “Os Sete Samurais”, foi destacado para analisar oportunidades em Osaka e Fukuoka.
Resistência ao peixe cru
Apesar do prestígio de pratos como sushi e sashimi, os japoneses evitavam o salmão cru devido ao receio de parasitas presentes no salmão selvagem do Pacífico e à ideia de que a versão do Atlântico, criada em cativeiro, seria inferior. Além disso, atacadistas reclamavam do cheiro e da coloração do peixe.
Nova identidade para o produto
Para driblar o preconceito, Olsen e a equipe norueguesa abandonaram o termo japonês shake e passaram a usar “Noruee saamon”. A mudança de nome foi acompanhada de campanhas publicitárias e parcerias com chefs renomados, como Yutaka Ishinabe, então estrela de um programa culinário de grande audiência.
Crise e oportunidade
No início da década de 1990, a produção norueguesa cresceu mais rápido que a demanda ocidental, provocando queda de preços e falência de metade dos criadores. Para evitar o colapso, Olsen negociou a venda de 5 mil toneladas de salmão à empresa japonesa Nichirei, com a condição de que o pescado fosse promovido para sushi.
Popularização relâmpago
Em 1995, de volta ao Japão como visitante, Olsen viu réplicas de nigiri de salmão em vitrines de restaurantes, sinal de aceitação definitiva. O estouro da bolha econômica ainda estimulou os sushis de esteira, opção mais barata que atraiu crianças e jovens ao peixe de coloração alaranjada.

Legado
Hoje, o salmão é um dos ingredientes de sushi mais consumidos no planeta, e a Noruega segue líder mundial na criação da espécie, mesmo sob críticas ambientais sobre a aquicultura. Aos 67 anos, Olsen continua visitando o Japão e escreve um livro sobre a experiência que uniu duas culturas à mesa.
Para conhecer mais dados sobre produção aquícola global, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mantém estatísticas atualizadas em seu portal oficial.
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Com informações de g1.globo.com
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