A partir de 00h01 (horário de Brasília, UTC-3) da terça-feira (24), todas as importações que chegam aos Estados Unidos passarão a recolher uma tarifa adicional de 15%. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump no sábado (21), logo após a Suprema Corte do país derrubar o chamado “tarifaço” aplicado em 2025.
Na prática, a decisão do tribunal eliminou as sobretaxas de 10% e 40% que incidiam especificamente sobre produtos brasileiros desde o ano passado. Com o novo percentual, volta a valer a alíquota básica de cada item — vigente antes de 2025 — acrescida agora do adicional temporário de 15% previsto na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que pode durar até 150 dias enquanto o Congresso analisa o tema.
O que muda para o Brasil
Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a maioria dos bens brasileiros passará a pagar apenas a tarifa normal mais o novo adicional. No entanto, aço e alumínio continuam sujeitos a 50% definidos em 2025, valor que se soma aos 15% recém-criados.
Estudo da Global Trade Alert aponta que Brasil e China são os países que mais se beneficiam da reconfiguração: a média tarifária aplicada a produtos brasileiros recua 13,6 pontos percentuais em relação ao patamar anterior. Já parceiros tradicionais dos EUA, como Reino Unido, União Europeia e Japão, terão aumento nos encargos médios.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comemorou a decisão do Supremo norte-americano. Ele afirmou que, por ser uniforme, a alíquota de 15% não retira competitividade das empresas brasileiras e lembrou que itens como combustíveis, carnes, café, celulose, suco de laranja e aeronaves ficaram livres de sobretaxas específicas.
Antes da decisão judicial, 22% das exportações brasileiras aos EUA estavam sujeitas à sobretaxa de 40%. Cálculo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a mudança afeta um volume de US$ 21,6 bilhões em embarques brasileiros ao mercado norte-americano.
Cronologia resumida das tarifas
• Abril de 2025 – Trump institui tarifa extra de 10% para produtos brasileiros.
• Junho de 2025 – Aço e alumínio sobem para 50% com base na Seção 232.
• Julho de 2025 – Nova elevação acrescenta 40% a diversos itens, com lista de exceções.
• 20 de fevereiro de 2026 – Suprema Corte invalida tarifas fundadas na IEEPA.
• 20 de fevereiro de 2026 – Trump cria tarifa global temporária de 10%.
• 21 de fevereiro de 2026 – Percentual global é elevado para 15%.
Em Sergipe, empresas que mantêm negócios com o mercado norte-americano acompanham o desdobramento das novas regras, avaliando possíveis ajustes de preço e logística para manter competitividade.
Fonte: g1
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