O Nubank anunciou acordo para adquirir o Banco Porto Real de Investimentos S/A, movimento que insere uma licença bancária completa no conglomerado da fintech e mantém a possibilidade de utilizar a palavra “bank” em sua marca. A negociação ainda depende do aval do Banco Central, mas já sinaliza o fortalecimento da estratégia de expansão da empresa no mercado brasileiro.
A urgência em obter a licença decorre de resolução divulgada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional em novembro do ano passado. A norma determina que apenas instituições com autorização específica podem exibir, em nome ou material de divulgação, termos ligados a atividades bancárias. Sem a nova permissão, o Nubank corria o risco de ter de alterar o nome fantasia que o tornou popular.
Até aqui, a companhia funcionava com autorizações de Instituição de Pagamento e de Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, além de Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. Com a incorporação do Banco Porto Real, essas credenciais passam a incluir a licença bancária, abrangendo todos os serviços indispensáveis ao modelo de negócios da plataforma.
Em nota, a empresa comunicou que “assim que finalizado o processo de aquisição, a licença bancária do Banco Porto Real se somará às outras licenças com as quais o Nubank já opera e que atendem plenamente ao seu modelo de negócios”. Segundo o texto, todas as obrigações assumidas pela instituição fluminense serão honradas conforme o acordo.
“O Brasil é onde o Nubank nasceu, cresceu e provou que serviços financeiros mais justos e simples são possíveis em escala. Treze anos depois, segue sendo nosso principal foco, um mercado onde ainda podemos expandir significativamente nossa participação e continuar impulsionando a transformação do setor”, declarou o CEO global e fundador David Vélez.
Lívia Chanes, CEO no Brasil e para a América Latina, acrescentou que a compra “aprofundará a relação com cada cliente, oferecendo ainda mais flexibilidade para produtos e serviços”.
Fundado em 1992 na cidade de Porto Real, no Rio de Janeiro, o Banco Porto Real atua na concessão de crédito a clientes de atacado. O valor da operação não foi divulgado pelas partes.
O Nubank afirmou que a nova licença não cria exigências adicionais de capital ou liquidez. Para os 115 milhões de clientes brasileiros — incluindo os milhares de sergipanos que utilizam o aplicativo diariamente — nada muda: interface, produtos e condições permanecem intactos.
Em março, a fintech filiou-se à Federação Brasileira de Bancos, depois de se tornar a maior instituição financeira privada do país em número de clientes. A integração de uma licença bancária ao grupo é vista internamente como passo decisivo para ampliar carteiras de crédito, abrir novos canais de receita e sustentar o crescimento acelerado no mercado nacional.
O próximo passo depende agora do Banco Central, que analisará a operação nos mesmos termos aplicados a qualquer aquisição no sistema financeiro. Concluída essa etapa, o Nubank pretende acelerar planos de expansão e reforçar sua presença em Estados como Sergipe, onde o uso de serviços digitais cresce acima da média nacional.
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