Sergipe volta a chamar a atenção do país pelo desempenho na saúde pública. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 29/05/2026 mostram que o estado alcançou, em 2025, as maiores taxas proporcionais de cirurgias bariátricas e mamárias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foram 21,38 procedimentos bariátricos e 16,14 mamoplastias para cada 100 mil habitantes, somando 830 intervenções em um universo populacional de pouco mais de 2,2 milhões de sergipanos.
O resultado tem ligação direta com o programa Opera Sergipe, lançado em julho de 2023 pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) para acelerar cirurgias eletivas. A iniciativa já ultrapassou a marca de 60 mil operações em 34 especialidades. Somente na área de redução de estômago, foram 400 procedimentos em 2025 e, até fevereiro de 2026, o acumulado chegou a 584 desde o início da segunda fase do programa, em 01/03/2025.
Esses números colocam o estado como referência nacional em procedimentos de alta complexidade, mas, para quem passa pela mesa de cirurgia, o impacto vai muito além das estatísticas.
“Primeiro, agradeço a Deus e também ao Governo do Estado por essa oportunidade. Meu objetivo agora é recuperar minha qualidade de vida, voltar a praticar esportes, jogar bola, correr e retomar minha rotina. E, amanhã, eu completo 45 anos. Posso dizer que estou recebendo o melhor presente da minha vida”
O depoimento emocionado é do pescador Gleferson José Farias, de 44 anos, que passou pela bariátrica nesta semana de maio e já faz planos para retomar a prática de atividades físicas.
A estudante de Direito Ana Clara, de 20 anos, também sentiu a diferença do processo acelerado.
“No mês passado, fui chamada para a consulta e, pouco mais de um mês depois, já estava sendo convocada para a cirurgia. Assim que fui avaliada, já fui aprovada, e tudo aconteceu de forma bem ágil”
A rapidez mencionada pela jovem é resultado de uma engrenagem que envolve hospitais públicos, filantrópicos e unidades contratualizadas. Na primeira etapa, o Opera Sergipe concentrou-se em cirurgias de média complexidade, como histerectomias, hernioplastias e colecistectomias. A partir de 01/03/2025, a segunda fase trouxe procedimentos de alta complexidade: bariátricas, mamoplastias redutoras e reconstrutoras, tratamento de endometriose, cirurgias urológicas e ortopédicas por videoartroscopia.
De acordo com a SES, a padronização de protocolos e o uso de sistemas digitais reduziram a fila de espera nos 75 municípios sergipanos. A secretária de Estado da Saúde, Mércia Feitosa, afirma que a meta para 2026 é manter o ritmo de produção e ampliar centros cirúrgicos regionais, evitando deslocamentos longos dos pacientes.
Para especialistas, o desempenho sergipano demonstra que políticas de gestão podem equalizar as demandas reprimidas do SUS. A taxa de 21,38 cirurgias bariátricas por 100 mil habitantes supera a média nacional e reforça a importância de programas que integrem atenção básica, diagnóstico precoce e capacidade de leitos.
Morando em Propriá, o servidor público Jorge dos Santos, de 52 anos, aguarda para operar hérnia de disco em junho de 2026 e acompanha com otimismo os resultados. “Ver gente voltando a trabalhar mais rápido e com menos dor nos anima”, diz.
Com investimentos contínuos e foco na interiorização da oferta cirúrgica, Sergipe transforma indicadores em histórias de vida que ganham qualidade. O Opera Sergipe, portanto, consolida-se como exemplo de que o SUS pode, sim, oferecer procedimentos complexos com agilidade, eficiência e humanidade.


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