PARIS, 9 jan. 2026 – Partidos de oposição na França protocolaram nesta sexta-feira (9) moções de censura contra o gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu depois que a União Europeia aprovou, por maioria qualificada, o acordo de livre-comércio com o Mercosul.
Moções partem de extremos políticos
A legenda de extrema esquerda França Insubmissa (LFI) apresentou seu pedido logo pela manhã. Horas depois, o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, anunciou que faria o mesmo. Embora simbolizem forte descontentamento, as duas propostas têm poucas chances de obter votos suficientes na Assembleia Nacional para derrubar o governo, que não dispõe de maioria desde 2022.
Agricultores e oposição reagem
A aprovação do tratado, negociado há mais de 25 anos, provocou críticas de agricultores franceses preocupados com o aumento das importações de carne bovina, aves e açúcar sul-americanos. A França votou contra, acompanhada por Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria, mas não conseguiu bloquear o texto, que precisava apenas de maioria qualificada entre os 27 Estados-membros.
O presidente do RN, Jordan Bardella, classificou o posicionamento do presidente Emmanuel Macron como “mera encenação” e “traição aos agricultores”. Marine Le Pen pediu que Paris ameace suspender sua contribuição ao orçamento da União Europeia.
Respostas do governo
Pelo X (antigo Twitter), Lecornu afirmou que as moções “enfraquecem a voz da França” num momento em que o país deveria demonstrar unidade para defender sua agricultura. O primeiro-ministro também alertou que o movimento atrasa as negociações do Orçamento de 2026, já em tramitação difícil no Parlamento.
Próximos passos do tratado
Com o aval dos governos nacionais, falta ainda a ratificação do Parlamento Europeu para que o acordo comercial entre em vigor. A Comissão Europeia defende que o pacto amplia o acesso do bloco a minerais críticos e compensa possíveis perdas decorrentes de tarifas norte-americanas.
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Em nota oficial, a Comissão Europeia reforçou que o texto trará benefícios a setores industriais, enquanto Bruxelas já concedeu salvaguardas para proteger produtores franceses mais vulneráveis.
De acordo com o site da Comissão Europeia, o acordo UE-Mercosul será o maior já celebrado pelo bloco em volume de comércio.
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O acordo segue para análise no Parlamento Europeu e deve continuar no centro do debate político francês. Continue nos acompanhando para receber alertas sempre que houver novos desdobramentos.
Com informações de G1
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