
O preço do ouro ultrapassou, pela primeira vez, a marca de US$ 5 mil (cerca de R$ 26,4 mil) por onça troy (31,103 g), consolidando uma valorização superior a 60% em 2025.
O movimento ocorre em meio às tensões entre Estados Unidos e Otan relacionadas à Groenlândia e ao aumento das preocupações econômicas e geopolíticas globais.
Pressões externas impulsionam o metal
A política comercial do presidente americano Donald Trump segue no radar. No sábado (24/1), ele ameaçou impor tarifa de 100% ao Canadá se o país firmar acordo comercial com a China, alimentando novas incertezas.
Considerado ativo de segurança, o ouro costuma atrair investidores quando há turbulência. A prata também ganhou tração e atingiu US$ 100 (cerca de R$ 530) por onça na sexta-feira (23/1), após alta próxima de 150% em 2025.
A inflação acima da média, a fraqueza do dólar, a ampla compra de metais pelos bancos centrais e a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026 completam o cenário de demanda aquecida.
‘As pessoas vão para o ouro’
Em geral, o preço do metal sobe quando os investidores projetam redução de juros. Taxas menores diminuem o retorno dos títulos públicos, elevando o apelo de ativos como ouro e prata. Parte dos analistas prevê que o Fed corte o juro básico duas vezes no próximo ano.
“O custo de oportunidade de deixar o dinheiro em títulos públicos já não compensa, então as pessoas vão para o ouro”, resume Ahmad Assiri, estrategista da australiana Pepperstone.
Guerras e compras governamentais
Conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza, além da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por Washington, também influenciaram a escalada.
O historiador econômico Philip Fliers, da Universidade de Belfast, lembra que crises muitas vezes deflagram uma “corrida do ouro”, envolvendo governos e investidores individuais.
Em 2025, o metal registrou seu maior avanço anual desde 1979. A estrategista-chefe Susannah Streeter, do Wealth Club, afirma que o ouro “parece não conhecer fronteiras” diante das incertezas atuais.
Modalidades de investimento
Nem todos compram lingotes ou joias. Muitos aplicam em ETFs atrelados ao metal. Ainda assim, Fliers destaca que “seguro não significa isento de risco”.

Exemplo disso foi 2020: o ouro disparou no início da pandemia, mas recuou em março daquele mesmo ano.
Oferta limitada
Segundo o Conselho Mundial do Ouro, cerca de 216.265 toneladas já foram mineradas, volume que encheria apenas três a quatro piscinas olímpicas. O Serviço Geológico dos EUA estima outras 64 mil toneladas ainda passíveis de extração.
Para Nicholas Frappell, da ABC Refinery, o metal é ótima diversificação: “Quando você tem ouro, não está dependente da dívida de terceiros”. Ele lembra, porém, que cotações podem cair caso notícias positivas para a economia surjam.
Cultura e tradição
Em várias culturas, ouro não é apenas investimento. Na Índia, por exemplo, o festival de Diwali impulsiona compras de joias e lingotes. Estudo do Morgan Stanley aponta que famílias indianas detêm US$ 3,8 tri em ouro, equivalente a 88,8% do PIB do país.
Na vizinha China, maior mercado consumidor global, a procura costuma crescer com o Ano Novo Lunar — neste ciclo, o Ano do Cavalo, que começa em fevereiro.
Mesmo com recordes recentes, especialistas ressaltam que a estratégia com ouro deve considerar o longo prazo, já que movimentos bruscos de saída podem ocorrer quando os mercados se estabilizam.
Para acompanhar outras notícias sobre o cenário econômico internacional, visite nossa seção de Internacional.
Continue ligado no nosso portal para atualizações sobre o mercado de metais preciosos e outras informações que impactam seus investimentos.
Com informações de g1.globo.com
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








