São Paulo – A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (14) 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga a quebra do Banco Master. As ordens, expedidas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), alcançaram endereços do fundador e CEO da instituição, Daniel Vorcaro, de familiares – pai, irmã e o cunhado Fabiano Campos Zettel – e de empresários como Nelson Tanure e o ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur.
Toffoli também determinou o bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. A defesa de Vorcaro afirmou que ele “colabora integral e continuamente com as autoridades competentes” e cumprirá todas as medidas judiciais “com total transparência”.
Banco pequeno, risco inédito
Apesar de ocupar a 22ª posição entre os maiores bancos do país em 2025, com R$ 63 bilhões em ativos, o Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro após suspeitas de fraude na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). Especialistas apontam potencial impacto inédito no Fundo Garantidor de Créditos (FGC): 1,6 milhão de investidores aguardam ressarcimento de R$ 41 bilhões – um terço do caixa do fundo.
Interlocução política
Relatórios policiais e apurações da imprensa mostram que Vorcaro manteve aproximação com figuras de diferentes espectros partidários:
- Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil) teriam articulado a tentativa de venda do Master ao BRB, veto barrado pelo BC.
- Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF, prestou consultoria ao banco entre sua saída da Corte e a posse no Ministério da Justiça.
- Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, também atuou como consultor e apresentou Vorcaro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Henrique Meirelles integrou o comitê consultivo do banco, substituindo Lewandowski, segundo registros de mercado.
- Michel Temer foi contratado em 2025 para mediar a retomada das negociações com o BRB após o veto do BC.
Doações eleitorais
Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, tornou-se o maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro (R$ 3 milhões) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (R$ 2 milhões), nas eleições de 2022. A assessoria de Tarcísio afirma que não há vínculo com o empresário, e a prestação de contas foi aprovada pela Justiça Eleitoral.
Pistas na esfera jurídica
Entre os documentos apreendidos, a PF encontrou contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões a partir de 2024, sem causas específicas listadas. O STF informou que Moraes manteve duas reuniões com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para tratar de sanções da Lei Magnitsky, negando pressão sobre o caso Master.
Outro ponto de atenção envolve o advogado Augusto de Arruda Botelho, ex-Secretário Nacional de Justiça. Após deixar o cargo, Botelho passou a defender um diretor do Master e viajou em jato particular para Lima, no Peru, em 29 de novembro, acompanhado de Dias Toffoli, sorteado na véspera para relatar recurso da defesa de Vorcaro. Em 3 de dezembro, o ministro transferiu o inquérito para o STF, colocou o processo em sigilo e assumiu a relatoria.
Trajetória de Daniel Vorcaro
Nascido em Belo Horizonte, o banqueiro de 42 anos assumiu o controle do antigo Banco Máxima no fim da década passada e o rebatizou como Master. A estratégia de captar recursos oferecendo CDBs com juros acima da média impulsionou o crescimento, mas também aumentou exposição a riscos. Fora do mercado, Vorcaro ficou conhecido por ostentar patrimônio, como a compra de parte da SAF do Atlético Mineiro e gastos milionários em festas particulares.
As investigações seguem sob sigilo no STF, sem conclusão sobre eventuais ilegalidades nas ligações políticas e jurídicas mapeadas até agora.
Reportagem em atualização.
Segundo o Banco Central, liquidações extrajudiciais têm potencial de afetar a estabilidade do sistema financeiro, o que reforça o interesse público no andamento do caso Master.
Para entender outros desdobramentos políticos no país, confira a cobertura completa em nossa seção Política.
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Com informações de G1
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