Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados em duas cidades sergipanas investigando documentos falsos e corrupção na compra de mudas de laranja. A operação pode mexer no bolso do produtor rural da região.
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, 16/06, a segunda fase da Operação Citrus, concentrando esforços na apuração de supostos delitos de advocacia administrativa, falsificação de documentos públicos e corrupção ligados à aquisição de mudas de laranja em Sergipe. A ação foi conduzida por agentes lotados na Superintendência Regional e contou com o apoio operacional de equipes deslocadas para o interior do estado.
Segundo informações repassadas pela corporação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos municípios de Barra dos Coqueiros e Boquim, além de dois mandados de busca pessoal. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal, que também determinou o afastamento cautelar de um servidor estadual suspeito de envolvimento no esquema.
O objetivo central da ofensiva é ampliar a coleta de provas e detalhar a participação dos investigados, bem como rastrear a possível existência de outros agentes públicos ou privados que tenham colaborado para a fraude. Na primeira fase da investigação, deflagrada em novembro de 2025, os policiais já haviam identificado o uso de documentação falsa para legitimar a compra irregular de mudas de laranja, fato que motivou a abertura de processo administrativo no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Com o avanço das análises periciais e o cruzamento de dados financeiros, surgiram fortes indícios de que o grupo teria recorrido a práticas de advocacia administrativa – utilizando-se de influência de servidores para favorecer interesses particulares –, além da falsificação de documentos públicos para mascarar a origem das mudas e viabilizar contratos à margem da legislação fitossanitária.
A PF informou que o material apreendido passará por perícia técnica, o que inclui celulares, computadores, mídias externas e documentos impressos recolhidos durante as buscas. Nos próximos dias, os investigados devem ser convocados para prestar depoimento e esclarecer seu grau de participação. Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos podem responder pelos crimes previstos nos artigos 304 (uso de documento falso), 317 (corrupção passiva) e 321 (advocacia administrativa) do Código Penal, cujas penas variam de dois a doze anos de reclusão, além de multa.
Apesar do avanço da segunda fase, a Operação Citrus permanece em curso e novas diligências não estão descartadas. A Polícia Federal reforça que a sociedade pode colaborar, encaminhando informações através dos canais oficiais de denúncia.
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