Por quatro anos, Itabaiana viveu sob o controle de uma família que misturou política e força bruta. Veja como essa história sombria marcou a cidade até hoje.
Na década de 1960, Itabaiana viveu um período marcado pela força e pela opressão política, onde quem dominava a cena podia agir sem consequências. Esse cenário de violência se estendeu por quatro anos, culminando em eventos que moldaram a história da cidade.
Em 1962, Euclides Paes Mendonça emergiu como uma figura central ao ser eleito Deputado Federal, com seu filho Antonio assumindo uma cadeira na Assembleia Legislativa e um correligionário, José Sizino de Almeida, sendo escolhido Prefeito. A política, nesse contexto, era regida por uma lógica de poder que permitia a imposição da força sobre os adversários, enquanto o crescimento econômico da região criava novas demandas urbanas.
Com a ascensão do adversário político, Seixas Dórea, do PSD, a situação se complicou. A perda do controle sobre o fisco e a polícia começou a desestabilizar a posição de Euclides, que, mesmo assim, manteve uma guarda própria, uma milícia armada conhecida como Guarda Municipal.
No dia 20 de abril de 1963, um conflito na feira de Itabaiana entre Euclides e seu opositor, Seu Antonio de Genoveva, resultou em uma escalada de violência. O velho pessedista resistiu à pressão de Euclides para mudar sua banca de redes, conduzindo a um confronto que se tornou mais intenso, envolvendo insultos e ameaças.
“Se Euclides, naquela altura, tivesse atirado, ou determinado que alguém da Guarda o fizesse, Manoel Teles, que estava desarmado, era alvo fácil”, recordou o desembargador Vladimir Carvalho, que presenciou o momento tenso.
O desfecho desse confronto foi trágico. No dia seguinte, 21 de abril de 1963, a Guarda Municipal e a Polícia Militar se enfrentaram em uma batalha aberta na praça da Igreja, resultando na morte do Major Teles.
O clima de violência se perpetuou, culminando no assassinato de Euclides e seu filho em 8 de agosto de 1963, durante uma passeata estudantil. O ciclo de vinganças políticas continuou, levando ao assassinato de Manoel Teles em 31 de agosto de 1967, um ato que selou a história de violência política em Itabaiana.
A ditadura militar de 1964 trouxe mudanças à dinâmica política local, extinguindo partidos e colocando os adversários em um mesmo grupo, mas a violência não desapareceu completamente. O MDB, liderado por Zé Carlos Teixeira, trouxe novos rostos à política, mas a luta pelo poder e a politicagem continuaram a sufocar iniciativas que poderiam beneficiar a cidade.
Foi somente com a ascensão de Valmir de Francisquinho no século XXI, que a cidade começou a se reerguer. Com uma abordagem voltada para a conciliação e o desenvolvimento, a violência política foi relegada ao passado e a economia de Itabaiana começou a florescer. A cidade, que havia sido marcada por confrontos e tensões, encontrou um novo caminho, permitindo que empreendedores prosperassem e a comunidade se unisse em torno de um futuro melhor.
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