O acidente na madrugada de 31 de julho em Poço Redondo envolveu uma ambulância que atingiu um animal e colidiu de frente com um caminhão carregado de blocos. Três pessoas morreram, incluindo o paciente transportado.
A Polícia Civil de Sergipe concluiu o inquérito que investigava o acidente registrado na madrugada de 31 de julho de 2026 na rodovia SE-230, no trecho que corta o município de Poço Redondo, sertão sergipano. Na ocasião, uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) transportava um paciente de Canindé de São Francisco para o Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória quando atingiu um animal solto na pista e, em seguida, colidiu de frente com um caminhão carregado de blocos que vinha no sentido oposto.
O impacto provocou a morte de três pessoas — o paciente que era removido e dois profissionais da equipe do Samu. Outras seis vítimas, entre ocupantes da ambulância e do caminhão, sofreram ferimentos de diferentes gravidades. Desde as primeiras horas após a colisão, policiais civis realizaram diligências para descobrir de onde o animal havia escapado e quem seria o responsável por mantê-lo contido.
Segundo o relatório final, o animal pertencia a uma propriedade rural localizada às margens da própria SE-230. Os investigadores relataram que, logo após o acidente, nenhuma pessoa foi encontrada na fazenda. Nos dias seguintes, porém, a equipe retornou ao local e identificou o proprietário que, de acordo com o inquérito, já iniciava reparos emergenciais na cerca.
Perícias realizadas na área indicaram sinais compatíveis com a passagem do animal pelo alambrado, além de evidências de que a estrutura se encontrava em estado precário antes da colisão. Para a Polícia Civil, esses elementos reforçaram a conclusão de que não foram adotadas as medidas indispensáveis para impedir que o bicho ganhasse a rodovia.
Diante dos indícios colhidos, o dono da fazenda foi indiciado por homicídio culposo, pelas três mortes, e por lesão corporal culposa, em razão dos ferimentos sofridos pelas outras seis vítimas. O procedimento será agora enviado ao Poder Judiciário, que decidirá sobre a abertura ou não de ação penal.
A corporação frisou no documento que a criação de animais é atividade relevante para a economia da região, mas lembrou que cabe aos proprietários garantir cercas em boas condições, sobretudo quando as terras se situam próximas a vias de grande movimentação. Ainda segundo o inquérito, a manutenção preventiva das cercas poderia ter evitado que o animal chegasse à pista, reduzindo o risco de tragédias similares.
Com o encerramento das investigações, familiares das vítimas aguardam as próximas etapas judiciais. Entretanto, o caso reacendeu o debate sobre segurança viária no interior sergipano e sobre a responsabilidade de criadores que mantêm rebanhos nas proximidades das rodovias estaduais.
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