Brasília – A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (14), 42 mandados de busca e apreensão contra o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e parentes dele, ampliando as investigações sobre supostas fraudes financeiras na instituição.
O que motivou a ação
A nova etapa da operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou bloqueio e sequestro de bens avaliados em mais de R$ 5,7 bilhões. Os agentes recolheram dinheiro em espécie, joias, automóveis e dispositivos eletrônicos, incluindo o celular de Vorcaro.
Suspeitas e origem da crise
O Banco Master passou a ser investigado após ofertar Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com juros muito acima do mercado, estratégia que impulsionou um passivo bilionário. Parte dos recursos teria sido aplicada em ativos sem lastro ou em créditos de empresas inexistentes, segundo a PF. Há indícios de que parte do dinheiro voltou aos acionistas por meio de fundos controlados pela própria instituição.
Liquidação extrajudicial
Em novembro, o Banco Central decretou liquidação extrajudicial do conglomerado e instaurou administração especial por 120 dias. Na ocasião, o presidente interino do BC, Gabriel Galípolo, apontou “situação econômico-financeira insustentável” e violações às normas bancárias.
Disputa institucional
A decisão do BC foi questionada no Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro Jhonatan de Jesus chegou a determinar inspeção nos documentos do processo, mas suspendeu a medida após recurso da autoridade monetária. BC e TCU acertaram diligências técnicas, mantendo o sigilo sobre informações sensíveis.
Trâmite no Supremo
O inquérito criminal subiu ao STF quando um deputado federal apareceu nas investigações, justificando prerrogativa de foro. Toffoli concentrou todos os pedidos judiciais, impôs sigilo parcial e argumentou que a divulgação de dados poderia afetar o sistema financeiro.
Prisão do controlador
Poucas horas após o anúncio – frustrado – da venda do Banco Master para a Fictor Holding, em 17 de novembro, Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos. Ele se preparava para embarcar rumo a Malta em avião particular. A defesa alega que o destino final seria Dubai, onde se encontraria com investidores árabes.
Alvos e defesas
Além de Vorcaro, figuram entre os investigados o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur. A defesa de Vorcaro afirma que ele “tem colaborado integralmente” e confia no “devido processo legal”. Tanure e Mansur não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
As investigações continuam sob sigilo no STF, enquanto o BC conduz a liquidação do banco e o TCU acompanha documentos do processo.
Com informações de g1
As regras para liquidação extrajudicial de instituições financeiras podem ser consultadas no site do Banco Central do Brasil, responsável por fiscalizar o processo.
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