Uma técnica de enfermagem foi presa nesta quarta-feira (19), em Itabaiana, sob a suspeita de desviar medicamentos e insumos de unidades públicas de saúde. A ação foi conduzida pela Polícia Civil, que afirma ter reunido indícios de que a prática teria começado em 2013 e se estendido por diversos locais de trabalho da investigada.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, os agentes localizaram na residência da profissional frascos de Diazepam, Metadona, Clonazepam e Tramadol, além de ampolas, seringas, luvas e materiais hospitalares de uso restrito. Parte dos produtos, segundo os policiais, ainda estava lacrada e identificada com etiquetas de unidades de saúde onde a técnica já prestou serviços.
O delegado Felipe Andrade explicou que a suspeita alegava retirar os medicamentos que sobravam após a alta dos pacientes. No entanto, o procedimento correto estabelece que todo material não utilizado deve ser devolvido ao almoxarifado da unidade, para posterior reaproveitamento ou descarte adequado. A polícia investiga se os itens apreendidos eram mantidos apenas para uso pessoal ou se estavam sendo comercializados de forma irregular.
Além de verificar a eventual venda dos remédios, a equipe apura a quantidade total de insumos desviados ao longo dos últimos 13 anos e quais estabelecimentos foram prejudicados. Os investigadores buscam mapear o caminho percorrido por cada lote encontrado, desde a entrada na rede pública até o destino final na residência da suspeita.
A técnica de enfermagem permanecerá custodiada até a audiência de custódia marcada para esta quinta-feira (20), em Aracaju. Nessa audiência, o Judiciário analisará a legalidade da prisão em flagrante e decidirá se ela responderá ao processo em liberdade ou se seguirá detida.
Casos de desvio de medicamentos comprometem o abastecimento de postos e hospitais, atrasam tratamentos e elevam custos para os cofres públicos. A Polícia Civil reforça que a população pode denunciar movimentações suspeitas de fármacos por meio do Disque-Denúncia (181), com garantia de sigilo.
O inquérito segue em andamento. Novas diligências serão realizadas para ouvir testemunhas, coletar documentos e cruzar informações sobre a circulação dos lotes. Caso a materialidade do crime seja confirmada, a investigada poderá responder por peculato, furto qualificado e outros delitos previstos na legislação sanitária.
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