São Paulo — A Prefeitura de São Paulo concluiu, nesta semana, o processo de retirada da UPBus do sistema de transporte coletivo da capital. A medida foi anunciada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ocorre após a empresa ser citada em investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que apuram uma suposta ligação de seus controladores com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Com a exclusão, todas as linhas que vinham sendo operadas pela concessionária passaram a ser administradas por outras empresas que já integram a rede municipal de ônibus. Segundo nota divulgada pela São Paulo Transporte (SPTrans), a transição foi feita “sem interrupção do serviço” e “com a manutenção da frota necessária para atender a demanda de passageiros”. Os nomes das companhias substitutas não foram detalhados no comunicado.
Entenda o caso
A UPBus entrou na mira das autoridades depois que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP apresentou indícios de que sócios ligados à empresa teriam participação em um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A investigação resultou na abertura de um processo administrativo pela SPTrans, responsável pela fiscalização dos contratos com as concessionárias que atuam no sistema municipal.
No fim de abril, a gestão municipal já havia determinado a suspensão temporária da empresa, enquanto avaliava a consistência das acusações. À medida que o inquérito avançou, a Prefeitura optou por encerrar de vez a relação comercial com a UPBus, medida chancelada pelo prefeito Ricardo Nunes.
Nunes afirmou, em pronunciamento, que a decisão tem como objetivo “blindar o sistema de qualquer influência criminosa e garantir segurança jurídica aos contratos de transporte público”. O gestor destacou ainda que eventuais pendências trabalhistas da concessionária com motoristas e demais funcionários serão acompanhadas pela Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho.
Impacto para os passageiros
De acordo com a SPTrans, as alterações operacionais não trouxeram mudanças no itinerário nem nos horários das linhas. A orientação ao usuário é continuar utilizando normalmente os mesmos pontos de embarque e desembarque e consultar o aplicativo oficial “Cade o Ônibus?” para informações em tempo real sobre previsão de chegada e eventuais ajustes de frota.
Especialistas em transporte urbano avaliam que a transição de operadores, quando feita de forma emergencial, tende a causar algum grau de instabilidade, mas consideram positivo que a gestão municipal tenha priorizado a manutenção da oferta de veículos. “A substituição imediata reduz o risco de colapso do serviço, principalmente nas regiões periféricas, onde a dependência do ônibus é maior”, observa o urbanista André Moura, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Próximos passos
A exclusão definitiva da UPBus abre espaço para a abertura de um novo lote de licitação ou para o remanejamento das linhas entre as empresas já habilitadas no sistema. A Prefeitura informou que ainda avalia qual modelo adotará e que a decisão será comunicada “nas próximas semanas”. Até lá, as empresas que assumiram provisoriamente as rotas deverão apresentar relatórios diários sobre pontualidade, regularidade de frota e desempenho operacional.
Já o processo administrativo contra a UPBus segue em tramitação. Caso as suspeitas de envolvimento com a facção criminosa se confirmem, a empresa poderá ser declarada inidônea para contratar com o poder público, além de enfrentar desdobramentos na esfera criminal. A defesa da companhia nega qualquer irregularidade e sustenta que seus sócios não têm ligação com atividades ilícitas.
Em paralelo, o MPSP continua coletando depoimentos e analisando documentos bancários para esclarecer a possível participação de integrantes do PCC no controle societário da concessionária. O órgão informou que não há prazo para o fim das investigações.
Com informações de Jovem Pan
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








