São Paulo – A Nestlé anunciou nesta segunda-feira (1º) a demissão de Laurent Freixe, 62 anos, do cargo de diretor-executivo global após confirmação de um relacionamento amoroso com uma funcionária que respondia diretamente a ele, prática vedada pelo Código de Conduta da companhia.
Investigação interna e quebra de conduta
De acordo com o portal suíço SRF, a suspeita chegou ao conselho de administração em maio por meio dos canais de denúncia. Uma primeira apuração, conduzida pela consultoria Gemium, não encontrou indícios de irregularidade. Diante de novos relatos, a Nestlé acionou uma segunda investigação, agora sob coordenação do presidente do conselho, Paul Bulcke, e do diretor independente Pablo Isla, que confirmou o envolvimento do executivo com a subordinada.
Identidade da funcionária permanece em sigilo
A companhia não divulgou o nome da colaboradora. O site Inside Paradeplatz informou que ela atuava na área de marketing e teria sido promovida, um ano e meio depois de conhecer Freixe na sede de Vevey, a vice-presidente de marketing para as Américas – informação que a multinacional não confirmou.
Carreira de Laurent Freixe
Nascido na França em 1962, Freixe ingressou na Nestlé em 1986. Foi vice-presidente executivo em 2008 e liderou operações na América do Norte, Europa e América Latina. Em 2024, assumiu o comando global da empresa. Ele também capitaneou o programa Nestlé Needs YOUth, voltado à empregabilidade de jovens.
Quem assume o comando
O novo CEO é o austríaco Philipp Navratil, 47 anos, funcionário da Nestlé desde 2001. Auditor interno na estreia, ele chefiou operações em Honduras e México, conduziu estratégias de marcas como Nescafé e Starbucks e, mais recentemente, liderou a Nespresso. Em janeiro de 2025, passou a integrar o conselho executivo e, agora, assume a presidência global.
Posicionamento da empresa
Em nota, a Nestlé destacou que a demissão busca “proteger a governança e os valores” da corporação, que proíbem relacionamentos entre chefes e subordinados diretos para evitar favorecimentos. “Agradecemos a Laurent pelos anos de serviço”, declarou Paul Bulcke.
Legislação brasileira sobre relacionamentos no trabalho
No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não aborda especificamente relações amorosas entre colegas. A Constituição garante direito à intimidade, mas empresas podem adotar regras internas para evitar conflitos de interesse. A advogada Cristina Pena ressalta que proibir o namoro seria inconstitucional, porém políticas de conduta podem exigir transparência e preservar a produtividade. Para o advogado Ronaldo Ferreira Tolentino, regulamentar a vida fora do expediente pode configurar invasão de privacidade.
O Tribunal Superior do Trabalho disponibiliza orientações sobre relacionamentos afetivos no ambiente corporativo, destacando boas práticas para empregados e empregadores.
Para saber mais sobre a repercussão internacional de casos semelhantes, visite a seção Internacional do Se por Dentro, onde atualizações do mundo dos negócios são publicadas diariamente.
Freixe deixa a presidência após quase quatro décadas na companhia, e Navratil assume com a missão de manter o ritmo de crescimento em meio ao debate global sobre ética e vida privada nas empresas.
Com informações de g1
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