Do litoral ao sertão, Sergipe concentra realidades bem diferentes nos seus 75 municípios. Entender como o estado está dividido ajuda a compreender o que muda na vida de quem mora em cada canto daqui.
Sergipe, a menor unidade federativa do Brasil, possui uma extensão territorial de aproximadamente 21,9 mil km² e uma população superior a 2,2 milhões de habitantes, distribuídos em 75 municípios. Apesar de seu tamanho reduzido, o estado é rico em diversidade geográfica, que abrange áreas litorâneas, sertanejas, vales fluviais e zonas de fronteira interestadual com a Bahia e Alagoas.
A estrutura territorial sergipana é marcada pela predominância de grandes municípios localizados no sertão e agreste. Segundo dados do IBGE, os cinco maiores municípios são, em ordem: Poço Redondo, Tobias Barreto, Lagarto, Canindé de São Francisco e Porto da Folha. Esses municípios concentram vastas áreas rurais, atividades agropecuárias e importantes recursos hídricos.
Poço Redondo, localizado no Alto Sertão Sergipano, abriga parte do Monumento Natural do Rio São Francisco e áreas historicamente ligadas ao cangaço. Já Canindé de São Francisco se destaca pela presença da Usina Hidrelétrica de Xingó e pelo turismo associado ao cânion do São Francisco.
A elevada fragmentação municipal em algumas áreas do estado resultou em municípios extremamente pequenos. Os cinco menores municípios sergipanos em extensão territorial são: General Maynard (o menor município de Sergipe), São Francisco, Amparo de São Francisco, Telha e Malhada dos Bois. General Maynard possui apenas cerca de 18 km², sendo um dos menores municípios do Brasil.
O conhecimento sobre os municípios de fronteira é essencial para compreender as relações econômicas de Sergipe com seus vizinhos. A fronteira sul e oeste de Sergipe é estabelecida com o estado da Bahia, e entre os principais municípios fronteiriços destacam-se: Tobias Barreto, Poço Verde, Simão Dias, Pinhão, Carira, Nossa Senhora da Glória, Monte Alegre de Sergipe, Poço Redondo e Canindé do São Francisco, Estância, Indiaroba, Cristinápolis e Tomar do Geru.
Na fronteira sul de Sergipe com a Bahia, o Rio Real atua como limite natural. Esses municípios possuem intensa interação econômica com o interior baiano, especialmente por meio da agropecuária, comércio regional e circulação de trabalhadores. A região de Tobias Barreto é um dos mais importantes polos industriais do interior sergipano, destacando-se na indústria têxtil e de confecções.
A fronteira norte é delimitada principalmente pelo Rio São Francisco, onde os municípios limítrofes incluem: Canindé de São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha, Gararu, Nossa Senhora de Lourdes, Canhoba, Amparo de São Francisco, Telha, Propriá, Neópolis, Santana do São Francisco, Ilha das Flores e Brejo Grande. Essa faixa territorial depende fortemente do Rio São Francisco, que é vital para irrigação, pesca, abastecimento hídrico, turismo e geração de energia elétrica.
O litoral sergipano se estende por aproximadamente 163 quilômetros e é formado pelos municípios banhados pelo Oceano Atlântico: Brejo Grande, Pacatuba, Pirambu, Santo Amaro das Brotas, Barra dos Coqueiros, Aracaju, Itaporanga d’Ajuda e Estância. Essas regiões concentram atividades ligadas ao turismo, petróleo e gás, carcinicultura, pesca artesanal, serviços e expansão imobiliária.
Os municípios que não possuem litoral ou não fazem fronteira direta com Bahia ou Alagoas localizam-se predominantemente nas regiões do Agreste Central, Médio Sertão e parte do Centro-Sul Sergipano. Essas localidades têm uma economia marcada pela agropecuária, comércio regional, administração pública e, em alguns casos, pela atividade industrial e serviços educacionais e de saúde.
De maneira geral, os municípios interioranos de Sergipe têm quatro grandes bases econômicas: agropecuária, comércio e serviços regionais, administração pública e pequenas e médias indústrias. Em muitos municípios de pequeno porte, a prefeitura municipal, os serviços públicos, aposentadorias e programas de transferência de renda têm forte impacto na circulação econômica local.
A região do Agreste Central de Sergipe é uma das áreas mais dinâmicas do interior do estado, com destaque para municípios como Itabaiana, Campo do Brito, Ribeirópolis, Carira, Frei Paulo, Nossa Senhora Aparecida, São Domingos, Malhador e Moita Bonita. Essa área é caracterizada pela produção de milho, cultivo de mandioca, feijão, batata-doce, avicultura, pecuária leiteira, além do comércio atacadista e varejista.
A população sergipana é fortemente concentrada na faixa litorânea e na Região Metropolitana de Aracaju, onde se encontram os maiores contingentes populacionais: Aracaju, com mais de 600 mil habitantes; Nossa Senhora do Socorro, quase 200 mil; além de Lagarto, Itabaiana e São Cristóvão. A Grande Aracaju configura o principal eixo urbano, econômico e administrativo do estado, enquanto os municípios do Alto Sertão, apesar de suas extensões territoriais, apresentam densidades demográficas reduzidas, refletindo limitações climáticas e econômicas típicas do semiárido.
A análise geográfica dos municípios de Sergipe revela um contraste significativo entre território e população. Os maiores municípios estão no sertão, onde predominam atividades agropecuárias e áreas rurais extensas, enquanto a maior parte da população se concentra no litoral e na Região Metropolitana de Aracaju. As fronteiras com a Bahia e Alagoas desempenham um papel estratégico na integração regional, especialmente por meio dos corredores econômicos do Rio São Francisco e das ligações rodoviárias com o interior nordestino.
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