Médicos, enfermeiros e coordenadores de municípios do Agreste participaram em Itabaiana da segunda turma da oficina. A ação da SES, Funesa e ESP-SE quer aprimorar registro e acompanhamento dos casos.
Profissionais de saúde de vários municípios do Agreste sergipano participaram, nesta quarta-feira, 2, em Itabaiana, da segunda turma da Oficina de Qualificação das Notificações das Violências Interpessoais e Autoprovocadas por Regiões de Saúde. A iniciativa foi conduzida pela Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Fundação Estadual de Saúde (Funesa) e da Escola de Saúde Pública de Sergipe (ESP-SE), com foco em melhorar o registro e o acompanhamento dos casos atendidos nos serviços da rede.
Médicos, enfermeiros, psicólogos, coordenadores da Atenção Primária e das vigilâncias municipais, além de técnicos dos núcleos hospitalares, revisaram processos de preenchimento das fichas de notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). A proposta, segundo a coordenação do encontro, foi reforçar a padronização dos dados para que as gestões tenham um retrato fiel das situações de violência sexual, doméstica, psicológica, patrimonial, negligência e violências autoprovocadas, como automutilação e tentativa de suicídio.
“A gente busca melhorar não só o número de notificações, mas principalmente a qualidade dessas informações, para que possamos desenhar um perfil epidemiológico das vítimas de violência. Os municípios precisam conhecer quem são essas pessoas e suas realidades para construir uma linha de cuidado adequada”
A fala da assistente social Ingrid Lima, responsável técnica pelo Núcleo de Vigilância de Violências e Acidentes, destacou a importância de registrar detalhes que apontem faixa etária, gênero, local da ocorrência e possíveis fatores de risco. Com dados qualificados, ações de prevenção e políticas públicas podem ser planejadas de maneira mais eficaz nos territórios.
Durante a oficina, os participantes discutiram experiências locais, analisaram indicadores e simularam o preenchimento correto das fichas. A psicóloga Jeniffer Santos, que atua em São Domingos, observou que a capacitação contribui para enfrentar a subnotificação e fortalecer o trabalho em rede.
“Essa oficina é muito importante para que a gente não subnotifique os casos de violência, entendendo a importância da notificação, da atuação em rede e da busca ativa nos municípios”
Outro ponto abordado foi a utilização das informações coletadas para orientar campanhas educativas, formar protocolos de atendimento multiprofissional e aperfeiçoar o encaminhamento das vítimas aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e serviços de proteção social. O psicólogo Wilton da Cruz reforçou a necessidade de empatia e acolhimento nos atendimentos.
“Quando notificamos, conseguimos entender quais são os casos que acontecem em maior quantidade e como as políticas públicas devem se comportar. Também é extremamente importante ter um olhar mais atento, com empatia e cuidado, para acolher essas pessoas”
A Secretaria informou que novas turmas serão realizadas nos próximos meses, contemplando outras regiões de saúde, para que todos os municípios aprimorem os fluxos de registro. A expectativa é que o aumento da qualidade das notificações reflita na ampliação do cuidado às vítimas e na redução dos índices de violência em Sergipe.





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