Brasília – A paralisação parcial do governo dos Estados Unidos, iniciada em 1º de outubro de 2025 depois de o Congresso não aprovar a lei orçamentária, aumentou a tensão nos mercados e abriu espaço para oscilações no câmbio e na bolsa brasileira.
Incerteza sobre indicadores
Com o chamado shutdown, a divulgação de estatísticas fundamentais, como o relatório oficial de empregos (payroll), fica suspensa. Sem esses números, investidores e o Federal Reserve (Fed) perdem referências sobre o desempenho da maior economia do mundo.
Segundo o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, a ausência de dados “eleva o prêmio de risco exigido pelos investidores e aumenta a volatilidade no mercado acionário”.
Reação do dólar e do real
Na abertura dos negócios desta quarta-feira (1º), o dólar recuava 0,35%, cotado a R$ 5,3038. No acumulado de 2025, a moeda já cede 13,87% frente ao real. O Ibovespa avançava 0,34%, aos 146.728 pontos.
Para Renato Nobile, da Buena Vista Capital, o movimento difere do visto no shutdown de 2018. “Hoje há um direcionamento do governo Trump para um dólar mais fraco”, observa. Nesse ambiente, investidores buscam proteção em ativos como o ouro, que alcançou recorde de US$ 3.895,38 a onça, quinta alta seguida.
Já Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, enxerga possível fortalecimento do dólar caso a incerteza se prolongue. “Quando o risco global aumenta, o fluxo tende a sair de moedas emergentes como o real”, afirma.
Impacto na bolsa brasileira
Setores exportadores e de commodities podem sentir pressão com a queda de preços internacionais ou maior aversão ao risco, aponta Lima. Em contrapartida, companhias com caixa robusto e baixa necessidade de crédito tendem a ganhar caráter defensivo.
Cenários para o Fed
Sem acesso a estatísticas oficiais, o Federal Reserve pode optar por manter os juros inalterados, avalia Milene Dellatore, da MIDE Mesa Proprietária. Caso a autoridade monetária eleve as taxas, os recursos podem migrar da B3 para títulos norte-americanos.
Dellatore lembra que impasses orçamentários são recorrentes nos EUA e, portanto, já fazem parte do radar do mercado. “O Congresso costuma chegar a um acordo, seja ampliando o teto da dívida ou emitindo mais dólares”, diz.
Empresas brasileiras voltadas ao turismo e às exportações para os EUA também ficam expostas a eventuais retrações de demanda, enquanto ativos considerados seguros — como o ouro — ganham preferência.
Mesmo sob influência externa, analistas esperam que o Banco Central do Brasil mantenha o foco na trajetória fiscal doméstica e na meta de inflação.
Dados históricos sobre paralisações federais estão disponíveis no site do Government Accountability Office (GAO) dos Estados Unidos, que monitora os impactos orçamentários.
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Com informações de G1
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