Grandes redes de varejo da Europa enviaram uma carta, na sexta-feira (5), pedindo que as principais empresas globais de comercialização de grãos não adquiram soja proveniente de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. O documento surge três semanas depois de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspender o acordo conhecido como Moratória da Soja.
Pressão internacional
Tesco, Sainsbury’s e Aldi estão entre os signatários que se dirigiram diretamente aos presidentes da ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company e Cofco. No texto, os varejistas pedem que as tradings “reafirmem publicamente” o compromisso de manter 2008 como data limite para aquisição de grãos em propriedades que tenham aberto novas áreas na floresta amazônica.
“Estamos escrevendo a vocês em um momento crítico para o futuro da Moratória da Soja na Amazônia, iniciativa que suas empresas têm defendido e que protege a floresta há quase duas décadas”, diz o documento obtido pela agência Reuters.
A decisão do Cade
Em agosto, o Cade suspendeu o pacto firmado em 2006, que proíbe a compra de soja cultivada em áreas desmatadas após julho de 2008. Para os varejistas europeus, a medida “representa séria ameaça” ao acordo. Uma liminar judicial já determinou o restabelecimento provisório da moratória, mas os supermercados afirmam que “são necessárias ações adicionais para eliminar qualquer incerteza de mercado”.
Plano de contingência
Os signatários afirmam esperar que, caso a moratória volte a ser interrompida, as tradings adotem imediatamente medidas internas de controle até que uma solução de longo prazo seja assegurada. As empresas mencionadas não responderam ao pedido de comentário da Reuters.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Amazônia perdeu mais de 10 mil km² de cobertura florestal em 2023, reforçando a preocupação internacional com o desmatamento ligado ao agronegócio.
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Com informações de G1
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