Novas práticas adotadas em fazendas de Mato Grosso do Sul e do interior paulista demonstram que é possível produzir carne bovina com emissões significativamente menores de gases de efeito estufa. As iniciativas, apresentadas nesta terça-feira (7) em série especial do Jornal Nacional, envolvem desde a recuperação de pastagens até aditivos na alimentação dos animais.
Captura do metano e nutrição de precisão
No Centro-Oeste, pesquisadores da Embrapa monitoram o metano liberado pelos animais por meio de um equipamento acoplado às narinas dos bois. O gás é armazenado em frascos que seguem para análise em laboratório. Segundo o pesquisador Rodrigo Gomes, complementos alimentares já permitem cortar em cerca de 40 % a produção de metano entérico. O mesmo estudo mapeia indivíduos que, por genética, emitem menos metano, com o objetivo de usá-los como reprodutores.
Pastagens recuperadas e rotação com lavouras
Dados da Embrapa indicam que 60 % das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação. Em Campo Grande (MS), ensaios mostram que a simples adubação do solo aliada ao limite de lotação evita o desgaste por até 30 anos. Já o sistema de integração lavoura-pecuária, que alterna um ano de grãos com três de pasto, se mantém há 32 anos e acumula cinco toneladas extras de carbono por metro de solo em relação ao Cerrado nativo.
Nos últimos 15 anos, Mato Grosso do Sul retirou entre três e quatro milhões de hectares de pasto ao mesmo tempo em que aumentou seu rebanho, graças à intensificação produtiva. A Embrapa calcula que a recuperação de pastagens pode mitigar até 50 % das emissões da pecuária nacional.
Carne de baixo carbono rumo à COP30
Em Rancharia (SP), a pecuarista Carla Namour conquistou a primeira certificação brasileira de carne de baixo carbono, que será servida na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). O selo exige 67 critérios, entre eles bem-estar animal, regularidade ambiental e alimentação balanceada. O rebanho permanece em piquetes menores, recebe ração suplementar e tem acesso permanente a água limpa.
Com essas medidas, o objetivo é reduzir a idade de abate para até 30 meses — dez a menos que a média nacional — encurtando o período de emissões por animal. Testes de campo indicam que a combinação de manejo, genética e sequestro de carbono no solo pode cortar até 85 % dos gases gerados na produção de um bife.
Sistemas silvipastoris e renda extra com madeira
A inclusão de árvores nas pastagens, prática conhecida como sistema silvipastoril, amplia o sequestro de CO2 na madeira e nas raízes, o que pode levar a uma pecuária carbono neutro. Apesar da leve queda na produtividade do pasto sombreado, a receita obtida com a venda de madeira compensa a diferença, explicam os pesquisadores.
A pecuária está presente em todos os municípios brasileiros e sustenta cerca de 70 % de pequenos produtores. Especialistas reforçam que disseminar essas técnicas é decisivo para aumentar a renda no campo e posicionar o Brasil na vanguarda da produção de carne sustentável.
Dados consolidados sobre emissões agropecuárias podem ser consultados no Inventário Nacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
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Com informações de G1 – Jornal Nacional




