Centenas de milhares de flamenguistas transformaram o Centro do Rio de Janeiro em um mar rubro-negro na manhã deste domingo (30). Do alto de um caminhão do Corpo de Bombeiros, os jogadores exibiram a taça da Copa Libertadores da América, conquistada no sábado (29) em Lima, após a vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras com gol do zagueiro Danilo.
A concentração começou cedo na Rua Primeiro de Março e na Avenida Presidente Antônio Carlos. Sob sol forte, famílias, amigos e torcedores vindos de diferentes cidades esperaram horas para ver o elenco campeão. A cena refletiu o poder de mobilização do futebol, 42 anos depois de Moraes Moreira cantar que cada gol do Flamengo fazia o torcedor se sentir um vencedor.
Vitórias que vão além do campo
Moradores do Cosme Velho, na zona sul carioca, Eduardo Ferreira Henrique e Valéria Nunes Domingos comemoraram dois motivos especiais. “Ontem tivemos duas vitórias: o resultado negativo da suspeita de câncer da minha esposa e o título do Mengão”, contou Eduardo, emocionado.
Para Valéria, a festa reforça a união entre desconhecidos: “Na hora da euforia, todo mundo se abraça. Violência ficou no passado, agora é todo mundo junto”.
Deslocamentos longos para um momento único
De São Gonçalo, a cerca de 30 quilômetros do centro, Andressa Vitória levou a família e chegou às 9h, mais de três horas antes da passagem do trio elétrico. Ela destacou o impacto positivo do futebol na saúde mental: “Para quem tem crise de ansiedade, uma alegria como essa é um alívio”.
O otimista Eusébio Carlos Andre saiu de Resende, a 170 quilômetros, já esperando a consagração. “O Flamengo ganhando deixa o pai de família feliz, o trabalhador feliz. Futebol une todas as raças e classes”, afirmou.
Tradição que atravessa gerações
Maurício Braz e Flávia Torres viajaram de Magé com o filho João Vicente, de nove meses. O pai guardava, desde novembro de 1995, a camisa que hoje veste o bebê. “É algo que passa de pai para filho”, disse, orgulhoso.
Já Hélio Marcos Ferreira Chaves lembra que, nas conquistas de 2019 e 2022, estava acompanhado dos filhos. Desta vez, comemorou sozinho, mas prometeu ter a família reunida no Maracanã na próxima quarta-feira (3), contra o Ceará, partida que pode render outro título ao clube.
Paixão estudada nas universidades
O sociólogo do esporte Maurício Murad, professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), descreve o futebol como o “mais significativo fenômeno da cultura das multidões no Brasil”, capaz de mobilizar diferentes regiões, classes sociais e faixas etárias durante todo o ano.
Ele ressalta que o simbolismo da modalidade extrapola o campo profissional, permeando a vida cotidiana e superando até o carnaval em alcance geográfico e temporal.
A celebração deste domingo reforçou essa análise: um dia de festa coletiva que fez a Nação Rubro-Negra esquecer problemas pessoais e transformar ruas históricas em arquibancada a céu aberto.
Fim da festa, começo da contagem regressiva: com o tetra da Libertadores garantido, a torcida já volta suas atenções ao Brasileirão, onde o Flamengo pode levantar mais uma taça nesta semana.
Para saber mais sobre políticas públicas de incentivo ao esporte, o Ministério do Esporte disponibiliza informações atualizadas sobre programas federais.
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Com informações de Agência Brasil
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