Aracaju (SE) – A Universidade Federal de Sergipe (UFS) é a única instituição pública de ensino superior do Nordeste que ficou fora da Chamada Pública CNPq nº 12/2025, que define as cotas do Programa Institucional de Bolsas de Pós-Graduação (PIBPG) a serem implementadas em 2026. Além disso, pela primeira vez em cerca de dez anos, a universidade não foi contemplada com emenda de bancada dos parlamentares sergipanos para o mesmo ciclo orçamentário.
Exclusão do PIBPG
Conforme o resultado divulgado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), todas as universidades federais e estaduais nordestinas tiveram propostas aprovadas, exceto a UFS. Na chamada anterior, referente à execução em 2025, a instituição havia obtido 12 bolsas de doutorado e 35 de mestrado.
De acordo com cálculos internos, a perda representa cerca de R$ 1,33 milhão por ano – R$ 882 mil referentes a bolsas de mestrado e R$ 446,4 mil a bolsas de doutorado. Em um ciclo quadrienal, o impacto pode ultrapassar R$ 5,3 milhões.
A Portaria CNPq nº 2.080/2024 define o PIBPG como um dos principais mecanismos de formação de pesquisadores no país. Sem bolsas, dezenas de estudantes podem deixar os programas de pós-graduação, afetando os 50 cursos stricto sensu mantidos pela universidade.
Perda das emendas de bancada
Para 2026, a bancada federal de Sergipe poderá destinar R$ 400 milhões em emendas coletivas. Neste ano, porém, nenhum valor foi reservado para a UFS. Parlamentares como o senador Rogério Carvalho (PT) e o deputado federal João Daniel (PT) defenderam a inclusão de recursos, mas a proposta não avançou.
Segundo docentes com experiência em gestão universitária, a articulação com os 11 deputados e senadores exige contato permanente e apresentação prévia de prioridades, prática que não teria sido seguida pela atual administração.
Repercussão interna
Ex-reitores consultados pelo autor do texto original atribuíram o resultado a falhas na condução de processos técnicos e políticos. Josué Modesto dos Passos Subrinho (2004-2012) citou “fragilidade do corpo técnico”; Angelo Antoniolli (2012-2020) apontou “inexperiência do pró-reitor”; e Valter Joviniano de Santana Filho (2021-2025) resumiu: “Uma pena”.
Outros entraves
A universidade também enfrenta a não autorização, pelo Ministério da Educação, dos cursos de Psicologia e Direito para o campus de Itabaiana em 2026. Além disso, uma proposta submetida ao edital da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec) para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) foi desclassificada por perda de prazo.
A UFS tem histórico de captação de recursos por meio de emendas parlamentares, responsáveis, entre outras obras, pela construção do campus de Nossa Senhora da Glória e pela conclusão da Unidade Materno-Infantil do Hospital Universitário em 2020.
Com a exclusão do PIBPG e a ausência de emendas, a instituição estima dificuldades para manter pesquisas, atrair estudantes e conservar infraestrutura, enquanto outras universidades nordestinas comemoram a ampliação de bolsas.
Para detalhes sobre o PIBPG, está disponível a íntegra da Portaria CNPq nº 2.080/2024, que regulamenta o programa.
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Em resumo, a UFS enfrenta perdas financeiras e acadêmicas expressivas para 2026, decorrentes da ausência de bolsas do CNPq e da falta de emendas parlamentares, fatores que podem comprometer desde a permanência de estudantes até a continuidade de projetos de pesquisa. Continue acompanhando nossos conteúdos para saber como a universidade vai se mobilizar diante desses desafios.
Com informações de Infonet
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