Washington (14 ago. 2025) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil é um “péssimo parceiro comercial” e definiu o processo conduzido pela Justiça brasileira contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como “execução política”. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas na Casa Branca.
Questionado sobre as tarifas de 50% impostas recentemente a produtos brasileiros e a aproximação de países latino-americanos com a China, Trump disse não estar preocupado e justificou as novas taxas:
“O Brasil tem cobrado tarifas enormes de nós há muito tempo, muito maiores do que as que aplicávamos. É muito difícil fazer negócios com eles. Agora pagam 50% e não estão felizes, mas é assim que funciona”, afirmou.
Defesa de Bolsonaro
Na mesma oportunidade, o republicano reiterou apoio a Jair Bolsonaro, repetindo críticas ao Judiciário do Brasil. “Quando tentam prender um presidente que conheço, e que considero honesto, trata-se de uma execução política”, declarou.
Desde julho, Trump tem citado o caso brasileiro em diferentes ocasiões. Em 15 de julho, ao anunciar o aumento das tarifas, ele ligou diretamente a medida ao julgamento em que Bolsonaro é réu. Dois dias depois, enviou carta ao ex-presidente brasileiro pedindo o fim do processo judicial.
A Procuradoria-Geral da República acusa Bolsonaro de liderar uma organização criminosa voltada a desacreditar o sistema eleitoral e articular medidas de exceção. O ex-presidente nega participação em trama golpista, segundo depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal em junho.
Relatório de direitos humanos
Na terça-feira (12), o Departamento de Estado norte-americano, sob a gestão Trump, divulgou relatório anual que aponta deterioração da situação de direitos humanos no Brasil. O documento critica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do STF Alexandre de Moraes e a prisão de apoiadores de Bolsonaro após os protestos de 8 de janeiro de 2023.

Imagem: g1.globo.com
O texto sustenta que tribunais brasileiros “minaram a liberdade de expressão” ao bloquear perfis em redes sociais e afirma que centenas de manifestantes permaneceram detidos sem acusação formal. Moraes também foi alvo de sanções econômicas dos EUA em 30 de julho, com base na Lei Magnitsky.
Servidores do Departamento de Estado relataram ao jornal “The Washington Post” desconforto com o teor do capítulo sobre o Brasil, alegando politização incomum em comparação com edições anteriores.
O relatório é parte dos “Country Reports on Human Rights Practices 2024”, encaminhados anualmente ao Congresso dos EUA e utilizados como referência em processos de asilo, deportações e decisões judiciais internacionais.
Com informações de g1
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