Pequim – Com o desemprego entre jovens acima de 14% na China, cresce o número de pessoas que desembolsam até 50 yuan (cerca de R$ 38) por dia para frequentar escritórios onde não há vínculo empregatício real, mas que oferecem a rotina de um ambiente de trabalho.
Como funciona
Os chamados “escritórios fake” operam em grandes centros como Shenzhen, Xangai, Nanjing, Wuhan, Chengdu, Kunming e Dongguan, cidade a 114 quilômetros de Hong Kong. Os espaços contam com computadores, internet, salas de reunião e até área para chá. A diária costuma incluir almoço, lanches e bebidas.
O modelo atrai principalmente recém-formados e freelancers. “O fenômeno é comum porque a transição entre estudo e mercado está difícil”, explica Christian Yao, professor da Victoria University of Wellington e especialista em economia chinesa.
Exemplo em Dongguan
Desde abril, o ex-empresário Shui Zhou, 30 anos, paga 30 yuan (R$ 22) para trabalhar no Pretend To Work, onde divide o espaço com outros cinco frequentadores. Ele chega por volta das 8h e, em alguns dias, só sai às 23h. “Sinto que estamos em equipe”, afirma.
Proprietário da unidade, Feiyu (pseudônimo), 30 anos, diz vender “dignidade”. Desempregado após fechar uma loja durante a pandemia, ele lançou o negócio em abril e lotou todas as estações em um mês. Hoje há lista de espera.
Quem procura
Segundo Feiyu, 40% dos clientes são recém-formados que precisam comprovar estágio para receber o diploma universitário, 60% são freelancers e nômades digitais. A idade média é de 30 anos; o frequentador mais jovem tem 25.
A universitária Xiaowen Tang, 23 anos, alugou uma mesa em Xangai para tirar fotos que comprovem estágio exigido por sua universidade. No local, ela escreve romances on-line como fonte de renda.
Razões para “fingir”
Para o antropólogo Biao Xiang, do Instituto Max Planck, a prática é uma forma de lidar com a frustração diante da escassez de vagas. Os usuários são classificados oficialmente como “profissionais de emprego flexível”, grupo que também engloba motoristas de aplicativo e caminhoneiros.

Imagem: Internet
No Pretend To Work, Zhou aproveita o tempo livre para aprimorar conhecimentos em inteligência artificial, área que acredita ampliar suas chances de conseguir um emprego fixo.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que a taxa de desemprego juvenil chinesa supera a média global.
Para acompanhar outras reportagens sobre tendências no mercado mundial, visite a seção Internacional do nosso site.
Esta matéria mostra como escritórios fictícios viraram alternativa para jovens sem vaga formal na China. Continue navegando para entender outros impactos das mudanças econômicas.
Com informações de g1.globo.com
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.







