Brasília – O Brasil registrou em outubro o décimo mês consecutivo de déficit comercial com os Estados Unidos. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as vendas para o mercado norte-americano somaram US$ 2,21 bilhões, queda de 38% em relação ao mesmo período de 2024. As importações, por sua vez, cresceram 9,6% e atingiram US$ 3,97 bilhões.
Com o movimento, o saldo entre exportações e importações ficou negativo em US$ 1,76 bilhão para o Brasil no mês passado. O resultado aprofunda a trajetória deficitária iniciada em janeiro e ocorre em meio à aplicação de tarifas adicionais de até 50% sobre cerca de 36% dos produtos brasileiros comprados pelos EUA, medidas anunciadas de forma escalonada pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Déficit acumula US$ 7 bilhões no ano
Entre janeiro e outubro, o país acumula déficit de pouco mais de US$ 7 bilhões nas trocas com os Estados Unidos, alta superior a 400% frente aos US$ 1,38 bilhão verificados no mesmo intervalo do ano anterior. A última vez em que o Brasil registrou superávit com o parceiro norte-americano foi em dezembro passado, quando o saldo positivo alcançou US$ 468 milhões.
Desde 2009, as transações bilaterais somam um déficit de US$ 88,61 bilhões para o lado brasileiro.
Balança geral tem superávit recorde para outubro
No conjunto de suas relações comerciais, o Brasil exportou US$ 31,97 bilhões em outubro, alta de 9,1% na média diária. As importações totalizaram US$ 25 bilhões, recuo de 0,8% na mesma base de comparação. O resultado gerou superávit de US$ 6,96 bilhões, avanço de 70% sobre outubro de 2024 e o melhor desempenho para o mês desde 2023 (US$ 9,18 bilhões).
O desempenho foi impulsionado pelo crescimento das vendas para a China (+33,4%), Europa (+7,6%) e Mercosul (+14,3%). Ainda assim, no acumulado de janeiro a outubro, o saldo positivo da balança recuou 16,6%, para US$ 52,4 bilhões, ante os US$ 62,8 bilhões observados um ano antes.
Medidas de apoio e cenário político
Para mitigar os efeitos das sobretaxas norte-americanas, o governo federal lançou em agosto uma linha de crédito de R$ 30 bilhões, condicionada à manutenção de empregos nas empresas afetadas. No fim do mês passado, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram, mas o pacote tarifário segue em vigor.
Mais detalhes e estatísticas oficiais podem ser consultados no portal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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O déficit crescente nas trocas com os EUA contrasta com o superávit recorde da balança comercial geral, indicando uma reconfiguração dos destinos das exportações brasileiras. Continue acompanhando nossas atualizações e receba em primeira mão os próximos resultados.
Com informações de G1
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