Washington (27 de agosto de 2025) – O governo dos Estados Unidos dobrou de 25% para 50% as tarifas aplicadas a uma série de bens importados da Índia. A medida, oficializada nesta quarta-feira (27), foi justificada pela Casa Branca como forma de punir Nova Déli pelas compras de petróleo bruto da Rússia, fonte que representou quase 36% das importações indianas em 2024.
Pressão econômica
Segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, a aquisição de petróleo russo ajuda Moscou a financiar a guerra na Ucrânia. Ao anunciar o novo patamar tarifário, assessores econômicos da Casa Branca afirmaram que a Índia “não reconhece seu papel no derramamento de sangue” e estaria “se aproximando de Xi Jinping”, em referência ao presidente da China.
Embora a alíquota de 50% seja considerada uma das mais altas já impostas a um parceiro comercial dos EUA, a administração Trump manteve isenções para determinados segmentos, incluindo produtos farmacêuticos, semicondutores, smartphones, aço, alumínio e automóveis.
Impacto no comércio bilateral
Em 2024, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações indianas, totalizando US$ 87,3 bilhões (R$ 474 bilhões). Entidades do setor privado alertam que a tarifa elevada pode ter efeito semelhante a um embargo, reduzindo pedidos e provocando cortes de empregos em pequenas e médias empresas indianas.
Analistas também destacam que a decisão pode azedar as relações entre Washington e Nova Déli, abrindo espaço para uma aproximação maior entre Índia e China, rivais históricos que compartilham fronteiras disputadas.
Reação de Nova Déli
O Ministério das Relações Exteriores da Índia classificou a medida como “injusta, injustificável e irracional”. O primeiro-ministro Narendra Modi reforçou, em discurso pelo Dia da Independência, o compromisso de “reduzir a carga tributária sobre as pessoas comuns” e de avançar na autossuficiência do país.
Autoridades indianas lembram que as importações de petróleo russo cresceram após o desvio de fornecedores tradicionais para a Europa, contexto em que, segundo elas, os próprios EUA incentivaram aquisições junto a Moscou para manter a estabilidade do mercado global de energia.

Imagem: comprar petróleo da Rússia
Próximos passos
A Casa Branca abriu investigações sobre outros setores que podem resultar em novas tarifas. Economistas ouvidos por agências internacionais preveem negociações difíceis e um cenário de incerteza para empresas dos dois lados do Pacífico.
Para mais detalhes sobre políticas comerciais dos Estados Unidos, o site do Representante Comercial dos EUA (USTR) disponibiliza documentos oficiais e atualizações regulares.
Quem acompanha o noticiário externo pode conferir outras coberturas na editoria Internacional, que traz análises e desdobramentos de temas globais.
O aumento das tarifas reforça a estratégia de Washington de usar barreiras comerciais como instrumento de pressão geopolítica. Continue acompanhando nossa cobertura para entender como essa decisão pode repercutir no comércio internacional e nos preços de energia.
Com informações de G1
Siga o SE Por Dentro e entre no nosso grupo de notícias.








