WASHINGTON – O dólar acumulou queda de 11% no U.S. Dollar Index no primeiro semestre de 2025, pior desempenho em mais de cinco décadas. A retração ocorre em meio à redução de reservas cambiais na moeda norte-americana, fuga de investidores dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e críticas à política tarifária do presidente Donald Trump.
Reservas internacionais perdem participação
Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que, em março de 2025, 57% das reservas globais – estimadas em mais de US$ 12 trilhões – estavam denominadas em dólar. No início dos anos 2000, essa fatia superava 70%. Enquanto isso, o renminbi chinês dobrou de participação na última década e o ouro passou a representar 9% das reservas de economias emergentes, mais do que o dobro de dez anos atrás.
Queda na demanda por Treasuries
A participação estrangeira nos títulos do Tesouro americano vem caindo há 15 anos. Antes da crise financeira global de 2008, investidores de fora dos EUA detinham mais de 50% dos papéis; hoje, possuem cerca de 30%, segundo o J.P. Morgan.
Comércio de commodities em outras moedas
As sanções aplicadas contra a Rússia levaram o país a aceitar moedas locais nas exportações de petróleo. Índia, China, Brasil, Tailândia e Indonésia passaram a comprar o produto pagando em suas próprias divisas, reduzindo o uso do dólar nas transações de energia.
Tarifas e impacto nos mercados
Em abril, Donald Trump anunciou tarifa universal de 10% sobre todas as importações, além de alíquotas específicas que chegaram a 50% para certos produtos brasileiros em 6 de agosto. A medida provocou queda de 10% no índice S&P 500 e venda de US$ 63 bilhões em ações de empresas americanas por investidores estrangeiros entre março e abril, segundo o Goldman Sachs.
Pressão sobre o Federal Reserve
Analistas aguardam novos cortes de juros pelo Federal Reserve, o que reduziria o rendimento dos Treasuries e poderia intensificar a desvalorização do dólar. Trump acusa o banco central de demorar nas reduções e chegou a ordenar a demissão da diretora Lisa Cook em 26 de agosto, medida contestada judicialmente.
Brics defende desdolarização
O bloco Brics, agora com 15 membros, discute ampliar o uso de moedas locais e criar uma divisa própria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou em julho que a mudança “não tem volta”. Trump respondeu afirmando que o grupo representa “um ataque ao dólar” e prometeu agir para “não deixar ninguém atacar a moeda”.
Debate interno nos EUA
Dentro do governo, correntes divergentes avaliam o papel do dólar. Enquanto leis sobre stablecoins buscam reforçar a dominância da moeda, conselheiros como Stephen Miran defendem que um dólar deliberadamente mais fraco tornaria as exportações americanas mais competitivas.

Imagem: Internet
Apesar dos sinais de enfraquecimento, parte dos economistas sustenta que nenhuma outra divisa reúne, por enquanto, liquidez e confiança suficientes para substituir o dólar no comércio global.
Para entender melhor a composição das reservas internacionais, acesse o banco de dados do FMI.
Confira outras reportagens sobre o cenário global na sessão Internacional do Se Pôr Dentro.
O dólar segue no centro das atenções e os próximos movimentos de Washington, do Fed e do Brics devem definir o ritmo dessa disputa cambial. Acompanhe nossos conteúdos e fique por dentro das próximas atualizações.
Com informações de G1
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