Milão (Itália) – O estilista Giorgio Armani, referência mundial na moda de luxo, morreu na quinta-feira (4) aos 91 anos. Fundador do Grupo Armani na década de 1970 ao lado do companheiro Sergio Galeotti, o designer manteve controle total da empresa até o fim da vida, supervisionando tanto as coleções quanto a administração.
Receita bilionária, lucros em queda
Em 2024, o conglomerado reportou receita de 2,3 bilhões de euros (cerca de R$ 14,6 bilhões). Embora o faturamento tenha se mantido estável, o lucro recuou diante da retração que atinge todo o setor de luxo.
Sem herdeiros diretos
Armani não tinha filhos. Como sucessores naturais aparecem a irmã Rosanna, as sobrinhas Silvana e Roberta, o sobrinho Andrea Camerana e o braço direito Pantaleo Dell’Orco, todos inseridos em cargos-chave do grupo.
Fundação garante independência
Para blindar o legado, o estilista criou em 2016 uma fundação que hoje detém 0,1% do capital, mas deve receber participação maior conforme seu testamento. Em entrevista ao jornal Corriere della Sera em 2017, ele explicou que o objetivo do instrumento é impedir a venda ou fragmentação da empresa. Três administradores indicados por ele conduzirão a entidade.
Estatutos e restrições a novos donos
Novos estatutos redigidos por Armani impõem regras rigorosas: qualquer abertura de capital só poderá ocorrer cinco anos após a sua morte e dependerá da maioria do conselho. O documento também estabelece diferentes classes de ações com direitos de voto distintos, tornando aquisições hostis menos prováveis.
Interesse do mercado
Consultorias de luxo, como a Ortelli&Co., avaliam que o Grupo Armani continua “altamente atraente” para compradores estratégicos. Propostas passaram pela mesa do estilista, incluindo uma oferta em 2021 de John Elkann, herdeiro da família Agnelli, e outra da Gucci antes da venda da marca ao grupo francês Kering. Todas foram recusadas.
Próximos passos
Nas próximas semanas será aberto o testamento que detalhará a distribuição de ações e o novo organograma. O conselho precisará nomear substitutos para os postos de presidente e CEO, funções exercidas por Armani. Executivos veteranos, como Giuseppe Marsocci e Daniele Ballestrazzi, surgem entre os cotados, enquanto a direção criativa pode ser assumida por Silvana Armani nas linhas femininas e por Dell’Orco nas masculinas.
A empresa dispõe de caixa líquido de 570 milhões de euros, o que sustenta investimentos em lojas emblemáticas, como o edifício da Madison Avenue, em Nova York, e o novo Palazzo Armani, em Paris. A Europa concentra quase metade das vendas, enquanto Américas e Ásia-Pacífico respondem por cerca de 20% cada.
Com a morte do fundador, a abertura do testamento e a atuação da fundação serão decisivas para definir se o império permanecerá independente ou se, no médio prazo, será cortejado novamente por gigantes globais do luxo.
Com informações de g1
De acordo com dados da Comissão Europeia, o setor de moda de luxo movimenta mais de 800 bilhões de euros ao ano no continente, reforçando a relevância do mercado onde a grife Armani atua.
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Em resumo, a partida de Giorgio Armani abre um novo capítulo para sua grife, que terá de equilibrar tradição e estratégia de mercado. Continue acompanhando nossas atualizações para saber como se desenrolará a sucessão.
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